quarta-feira, 29 de junho de 2011

Um tapa na cara da sociedade do sensacionalismo.



Por: William C. T. Rodrigues

Enquanto vemos um crescimento vertiginoso de programas polícias na tv, são diversos urgentes, alertas e 24 horas nas mais diversas emissoras, o jornal Folha de São Paulo edição de 28 de junho de 2011 divulgou as estatísticas oficiais da secretaria de Segurança Pública de São Paulo sobre a violência no Estado.(...)

Segundo dados do SSP o número de homicídios no Estado caiu pelo 14˚ mês consecutivo, sendo o mês de maio o menos violento dos últimos 15 anos. Entretanto, o número de latrocínios aumentou nos últimos 5 primeiros meses desse ano em comparação com os mesmo período do ano passado.

Essas quedas consecutivas no número de homicídios, acredito, não agrada em nada quem produza esse tipo de jornalismo, que parece, ao meu ver, seguir o modelo hitlerista de propaganda: crie o medo, o massa necessita de medo. O que realmente dá audiência a esses programas são os gritos, o chocante,o trágico. Ninguém se interessa em passar duas horas assistindo uma matéria sobre furto de um chocolate em supermercado. Para se manter no ar é necessário sangue, pois tragédia é a alma do negócio.

Não sei os motivos dessa queda no número de assassinatos e se essa estatística tende a continuar caindo, mas não custa imaginar como seria uma narração ao vivo, transmitida por helicóptero de um furto de bicicleta:

-Olha lá! O vagabundo esta pedalando sentido bairro, evadindo-se do local do furto e pela calçada ainda por cima! Cadê a polícia? Cadê a lei?

-Ele está parando.-diz o piloto- E com o pé, acho que a bicicleta não tem freio.Agora ele está indo em direção a um bar.

-Isso é uma pouca vergonha, estacionou em fila dupla a agora irá dirigir embriagado. É mesmo um marginal da pior espécie!

sábado, 25 de junho de 2011

O filho do Sol: a rebelião de Tupac Amaru.


A rebelião de Tupac Amaru.
No dia 4 de novembro de 1780, no pequeno povoado de Tinta ao sul do vice-reino do Peru, José Gabriel Túpac Amaru descendente da linhagem imperial inca, comandou a execução por enforcamento do espanhol Antônio Arriaga, representante da coroa no local. Vestido para a guerra, Túpac Amaru convocou todos os índios, negros e mestiços para lutar contra o domínio espanhol, dando início a uma rebelião que se espalhou pelos Andes chegando até os altiplanos bolivianos.
Após quase 300 anos de dominação espanhola marcada pela violência, exploração, dominação e destruição do império inca, algumas lideranças indígenas ainda resistiam ao tempo e ao sofrimento. Entretanto, alguns líderes convertidos ao cristianismo ajudavam os espanhóis no controle da população.
José Gabriel Túpac Amaru era descendente do primeiro Túpac Amaru líder do ultimo foco de resistência inca derrotado em 1572. De sua família José Gabriel Túpac Amaru herdou 70 pares de mulas com as quais prosperou economicamente ganhando respeito entre a população local.
Insatisfeito com a brutalidade das autoridades espanholas locais, Túpac Amaru enviou a Lima um pedido de eliminação do cargo de corregedor substituindo-o por prefeitos eleitos e o fim da mita (trabalho forçado nas minas de prata e mercúrio), mas não foi atendido. Percebeu então que a única maneira de se fazer reformas teria que ser pela luta.
Em Tinta eclodiu a revolta, após matar Arriaga, Túpac e seus homens avançaram por povoados e vilas da região prendendo e enforcando autoridades locais. Conforme avançava nomeava autoridades, confiscava armas e dinheiro e recrutava mais homens para a luta.
A rebelião se alastrou rapidamente. Aterrorizado o bispo de Cusco, Juan Manuel de Moscoso y Peralta, enviou 1.500 soldados para conter o avanço rebelde. O combate ocorreu no dia 18 de novembro de 1780, no povoado de Sangara. Sob o comando de Túpac Amaru, 6 mil homens cercaram os soldados do bispo massacrando-os. O último grupo refugiou-se em uma igreja esperando que Túpac respeitasse o local sagrado...ele invadiu e matou todos.
Como represália Moscoso y Peralta excomungou Túpac e seus seguidores. Essa era a maior desonra que alguém poderia sofrer, seja católico ou índio. Supersticiosos, vários adeptos da causa tupamarista abandonaram a rebelião.
Mesmo assim Túpac se preparou para tomar Cusco. A estratégia era tomar Puno (cidade entre Cusco e Potosí) e depois avançar sobre a capital Lima. A antiga capital Inca era uma imensa fortaleza de difícil acesso e com grandes muralhas. As tropas da cidade partiram em direção aos rebeldes para tentar conter seu avanço, enquanto mais soldados preparavam as defesas da cidade.
Em 28 de dezembro de 1780, Túpac chega a Cusco seguido por cerca de 40 mil homens (embora poucos estivessem armados). Seu plano era atacar em duas frentes: uma comandada por ele e outra por seu irmão Diego Cristóbal. Em 2 de janeiro de 1871 os combates começam, por dias os 12 mil soldados do vice-rei conseguiram manter os invasores fora da cidade, nesse meio tempo receberam o reforço de mais 8 mil homens, 6 canhões e 13 mil fuzis vindo de Lima. O plano dos rebeldes falhou, Diego Cristóbal não conseguiu ultrapassar as defesas do rio Urubamba e recuou, o policiamento em Cusco reprimiu qualquer tentativa de apoio a revolta. Em 8 de janeiro, desesperado, Túpac lançou força total contra a cidade. A batalha durou cerca de 7 horas e não obteve resultado. Túpac desistiu e resolveu recuar até Tinta.
Em março, com o reforço de 17 mil soldados, as tropas do vice-rei resolvam sufocar de vez a rebelião. Em 5 de abril os espanhóis infligiram uma gigantesca derrota às tropas tupamaristas. Depois do combate os realistas ofereceram anistia a todos aqueles que abandonassem a revolta. No dia seguinte outra vitória dos espanhóis. Os rebeldes se dispersaram e fugiram, mas Túpac e seus colaboradores mais próximos foram perseguidos e presos em uma emboscada preparada por traidores. Apenas um pequeno grupo de rebeldes conseguiu se refugiam nas montanhas.
Tupac e sua família foram levados a Cusco, onde foram torturados para dar informações sobre os outros líderes do movimento. Após 35 dias de tortura, em 18 de maio de 1871 Túpac recebeu sua sentença: morte por esquartejamento! Antes de morrer foi obrigado a assistir, em praça pública, ao enforcamento de seus homens, mulher e filhos. Túpac teve seus membros (braços e pernas) amarrados a quatro cavalos que foram incitados a correrem cada um para uma direção, depois de varias tentativas frustradas cortaram a cabeça do inca.
Entretanto, a rebelião continuou em duas frentes. Uma sob a liderança de Túpac Catari (Julián Apasa) e Tomas Catari que foi morto pelos espanhóis da Bolívia. Com Catari a revolta chegou a La Paz, em março de 1871 cerca de 10 mil homens cercaram a cidade dando inicio a violentos combates e após 109 dias de sítio as tropas realistas conseguiram furar o cerco. Catari ainda voltou a atacar em agosto, mas foi derrotado, preso e posteriormente executado.
A segunda onda de resistência se deu na região montanhosa de Cusco e foi comandada por Diogo Cristóbal. Em 1781 ele chegou a sitiar Puno mas não invadiu. Os conflitos se estenderam até 1782 quando Cristóbal assinou um tratado de paz com os espanhóis. Apesar disso em 1783, ameaçou reiniciar a rebelião e acabou preso e executado pelos espanhóis.
Os anos seguintes foram marcados pela extrema repressão a cultura inca e qualquer ornamento da nobreza tornou-se proibido. Falar em Túpac Amaru em público era considerado ato de rebeldia e punido com vigor pelos espanhóis. Entretanto, a repressão apenas serviu para transformar o homem em mito.
Referências:
MEIGUINS; Alessandro: “O filho do sol.” Revista Aventuras na História, Ed 15 novembro 2004. 

sábado, 11 de junho de 2011

A HISTÓRICA RELAÇÃO HOMEM TRABALHO E A DIGNIDADE HUMANA.

Como ninguém gosta de trabalhar , aqueles que conseguem cargos que exigem menos esforço físico gozam de um status social melhor.
Por: William Cirilo Teixeira Rodrigues

O maior sonho do homem desde seu surgimento foi o de nunca trabalhar. Desde que, segundo a bíblia, Adão foi expulso do paraíso e teve que sair do ócio para ganhar o sustento com o suor do próprio rosto o ser humano reclama de sua labuta diária e sonha em viver bem, mas sem esforço. Isso fica provado em lendas como a Cocanha<!--[if !supportFootnotes]-->[1]<!--[endif]--> da Idade Média e contemporaneamente a fé em acertar os seis dígitos da Mega Sena.(...)
Saindo do campo da mitologia e da religião e passando para a ciência, o filosofo Karl Marx influenciado pelas recém surgidas idéias sobre a evolução das espécies de Charles Darwin, atribui ao trabalha a principal responsabilidade pela transformação do macaco em Homem.
Para controlar a natureza o homem teve que trabalhar e desde o inicio o trabalho foi classificado de acordo com sua importância para a sociedade. Os salários são classificados por ordem crescente, na base está o trabalho braçal e no topo o trabalho intelectual administrativo.
Pelo fato do trabalho não ser algo agradável a ninguém, criou-se um certo preconceito com quem tem empregos de ordem braçal. Quem usa o corpo para o trabalho ganha menos, quem usa o cérebro ganha mais.
Para que a dignidade e o respeito façam parte do cotidiano de qualquer trabalhador, seja em qual escala social ele esteja, é necessário que as pessoas se conscientizem de que todo trabalho é importante para o bom andamento da sociedade, e deixar de lado esse preconceito de que “Todo trabalho é digno,mas uns são mais dignos do que outros” parafraseando George Orwel.
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<!--[if !supportFootnotes]-->[1]<!--[endif]--> Reino mágico onde não se trabalha, o sexo é livre e a comida é abundante. Essa lenda é o oposto da sociedade medieval.

A SOBREPOSIÇÃO DA FICÇÃO SOBRE REALIDADE: A FORÇA DOS SÍMBOLOS.

A imagem individual se tornou uma coisa tão complexa que muitas vezes  vemos primeiro a construção e não o real.
Por: William Cirilo Teixeira Rodrigues
Qual a real força de um símbolo? Com algo imaginário, construído, inventado pode tomar proporções tão grandes a ponto de a ilusão superar a realidade?(...)
A realidade é infinitamente menos fantástica do que a maioria das pessoas aceita, o real, o físico o palpável é algo duro demais para a alguns. Para que o cotidiano seja mais bem encarado, ele é “maquiado” com diversas representações tornando-o mais fácil e melhor absorvido.  
São várias as áreas da vida onde a realidade é encoberta por uma manta de ficção, exemplos históricos não faltam, e entre todos, com certeza o mais impressionante é a construção da imagem pessoal.
A todo o momento surgem pessoas que são consideradas ícones, símbolos de uma época, exemplos de vida, etc. estes são envoltos, muitas vezes pela mídia, em uma aura de santidade e acabam tornando-se quase que sobre-humanos. A partir desse momento, esses famosos em geral, não são mais vistos em sua realidade, mas em sua representação, assim como uma máscara, essa representação encobre a verdadeira identidade dessa pessoa deixando transparecer apenas o que se deseja apresentar ao mundo.
Para Maquiavel isso é evidente e sempre foi usado. Segundo ele “não é necessário ao príncipe ter nenhuma virtude, entretendo é fundamente ao mesmo aparentar tê-las, mesmo que não as possua realmente”, e continua “as pessoas julgam mais pelos olhos do que pelas mãos, pois muitos são os que podem ver, mas poucos são os que podem tocar”.
Fica claro então que construir imagens sobre uma pessoa não é algo novo e já foi feito por milhares de ditadores, imperadores, soberanos, políticos, artistas, etc. no mundo todo.
Cabe a cada um, em posse de suas faculdade intelectuais, saber onde acaba a realidade e inicia-se a ficção. Ser crítico em relação ao que é apresentado como real é fundamento básico para não cair nas armadilhas do imaginário coletivo, que muitas vezes, já transformou assassinos em heróis.

A FARSA DO “AUMENTO” SALÁRIAL DOS PROFESSORES PAULISTAS

Dar aos professores um aumento salarial que será devorado pelo dragão da inflação  em 4 anos foi um grande golpe de marketing e no bolso da categoria!
Por: William Cirilo Teixeira Rodrigues
Há alguns meses o governador do Estado de São Paulo, senhor Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou o tão esperado aumento salarial para os professores da rede pública de educação. Esse aumento de 37% foi comemorado pelo sindicato como a maior conquista dos últimos anos. O bom samaritano apresentou uma proposta denominada “acordo” quadrianual, aplaudido de pé pela APEOESP e divulgado pela mídia como um ato de “boa ação” feita pelo governador à categoria.(...)
Mas exatamente, como funciona esse aumento salarial? Simples, será um aumento de 37% distribuído em 4 anos: 13,8 (jul/11), 10%(jul/12), 6%(jul/13) e 7(jul/14). O que seria uma maravilha se não existisse a tal da inflação (Que pelo visto não foi considerada pelos incríveis economistas do governo). Portanto, não se pode considerar essa “coisa” como um aumento salarial real, digno de crédito e sim um reajuste salarial muito mal feito sobre a inflação dos próximos 4 anos!
E pasmem! No reajuste deste ano está incluso a incorporação de uma gratificação que já é recebida pelo professor! Ou seja o reajuste real deste ano não é de 13,8% e sim de 8,5%!
Resumindo:
Reajuste salarial deste ano
Reivindicado pela greve de 2010
37%
Reajuste previsto para 2011
13,8%
Descontando os 5% da gratificação que já é recebida pelo professor
8,5%
Descontando inflação dos últimos 12 meses que foi de 6,5%, segundo o IPCA.
2%
Descontando a inflação de maio a julho de 2011
0%
Não é necessário ser professor de matemática para saber que esse reajuste salarial é uma farsa.
Reajuste salarial dos próximos anos
Reajuste propostos: 10%(jul/12), 6%(jul/13) e 7(jul/14)
24%
A estimativa da inflação para 2011 a 2014 é de 10% ao ano
40%
Inflação dos últimos 12 meses.
6,5%
Perdas acumuladas
22%
Ou seja, a categoria não terá um aumento de 37%, mas uma perda salarial acumulada de 22% ao longo desses 4 anos. O mais interessante é saber que desde que a atual diretoria da APEOESP chegou ao poder em 1979 à categoria só acumula perdas. Corrigido monetariamente, o salário de um professor nessa época era equivalente a R$ 3.900,00 por carga completa e hoje eles defendem um piso de míseros R$1.1170,00.
Sindicato que não luta, aumento salarial fictício, vale coxinha, desrespeito e desvalorização do profissional, essa é a realidade do professor no Brasil e finalizo dizendo: No capitalismo o salário pago a um profissional mostra a sociedade a importância e o valor que ele tem, em um país onde se paga mais a um agente penitenciário do que a um professor, fica clara a sua ordem de prioridades.

Fonte:
Dados retirados do panfleto: Educadores em luta n˚67, especial eleições 2011. Chapa 03, oposição as chapas 1 e 2. Jornal associado a Corrente Sindical Nacional Causa Operária

domingo, 5 de junho de 2011

A CULPA É SÓ DAS FRONTEIRAS?

Por: William Cirilo Teixeira Rodrigues

Assistindo a série de reportagens feitas pelo repórter César Tralli, a mando da rede Globo, sobre as fronteiras do Brasil, me pequei pensando: O que eles querem? Será que eles pensam em aplicar o modelo Estadunidense e fechar todos os 15.791 Km de fronteiras com muros se isolando do restante da América do Sul? Será que o envio de produtos ilegais, seja ele de que espécie for, só vem de “lá” pra “cá”? E daqui pra lá, não vai nada ilegal? Caso algum dia o Brasil consiga fechar suas fronteiras, o próprio brasileiro não encontrará um “jeitinho” de burlar e produzir aqui mesmo, os produtos que lhe foram privados como cigarros, bebidas e drogas? E sobre a questão do trafico de armas e munições, é sabido que a grande maioria que circula no Brasil é produção nacional.(...)

Quando no século o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) começou a buscar bases para a formulação da história nacional, ele não sabia muito bem o que queria ser, mas tinha total compreensão do que não queria ser: Ele não queria ser Republicano, protestante e muito menos latino americano! E pelo jeito obteve sucesso em sua empreitada, pois o país não é nenhuma dessas coisas de forma plena.

Sempre que se cita “América Latina” o brasileiro logo pensa nos países vizinhos, latino para ele é o cantor de “Festa do Apê”, os países vizinhos são considerados caóticos, pobres, sujos, sem leis, de política e economia instáveis e infestadas de guerrilhas de narcotraficantes. Fica claro então que o Brasil virou-se de costas para os países vizinhos e está de braços abertos para o Atlântico, pois o brasileiro acredita que o que vem do leste é cultura, e o que vem do oeste é ilegalidade!

Esse tipo de pensamento é claro entre os brasileiros, e é alimentado por reportagens como esta que mostra um Brasil desguarnecido, indefeso cercado por repúblicas caóticas que são as principais, se não as únicas, culpadas pela violência no país.

O que Tralli mostrou em suas reportagens foi basicamente que “o inferno são os outros” se não existisse o Paraguai não haveria maconha nem armas, se não existisse a Colômbia o Peru e a Bolívia não existiria a cocaína, o lança perfume é culpa argentina e o Uruguai é responsável pelos insumos agrícolas ilegais. Parece que a ilegalidade é uma política de Estado entre nossos vizinhos, o que não é! Esses países gastam milhões por ano para combater o trafico de drogas, armas, etc. Esses são problemas crônicos desses países, assim como o tráfico nos morros cariocas, os pistoleiros no norte e no centro-oeste, o polígono da maconha no nordeste e a violência nas cidades satélites de Brasília são para o Brasil. Se for fácil culpá-los por não resolverem seus problemas, também é fácil culpar o governo brasileiro por não resolver os nossos.