quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Questões de Fronteira de Lilia Katri Moritz Schwarcz.

Lilia Katri Moritz Schwarcz
Lilia Katri Moritz Schwarcz graduada em História pela Universidade de São Paulo (1980), tornou-se mestre em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (1986), doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (1993), e livre-docente em Antropologia Social pela USP (1998). Atualmente é professora titular da Universidade de São Paulo (2005), editora da Companhia das Letras (onde coordena coleções de não ficção), membro do advisory group - Harvard University, membro do Conselho Científico do Instituto de Estudos Avançados da UFMG, sócia do IHGB, membro da conselho da Revista da USP, da Revista de História da Biblioteca Nacional, da Revista Brasileira de Ciências Sociais, da Revista Etnográfica (Lisboa) e da revista Penélope (Lisboa), coordenadora do GT/ Anpocs de Pensamento Social. Foi professora visitante e pesquisadora nas universidades de Leiden, Oxford, Brown e Columbia (Tinker Professor). Foi curadora de uma série de exposições que aliam história, artes e antropologia. Tem experiência na área de Antropologia e História, com ênfase em Antropologia das Populações Afro-Brasileiras, Marcadores de Diferênça e História do Império brasileiro, atuando principalmente nos seguintes temas: Brasil monárquico, escravidão, construções simbólicas, história da antropologia , etnicidade, construções imagéticas e identidade social. (...)
QUESTÕES DE FRONTEIRA.
Neste artigo intitulado Questões de Fronteira, publicado originalmente na revista Novos Estudos organizada pelo CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), a autora Lilia Katri Moritz Schwarcz tenta traçar um parâmetro, uma fronteira entre a História e a Antropologia. Em até que ponto uma influi na outra e vice-versa. Ela faz essas análises a partir do diálogo com as obras de Lévi-Strauss, Marchall Sahlins e Thomas Mann, entre outros. E por fim analisa a questão da noção do tempo em outras culturas além da ocidental.
História Antropológica ou Antropologia da História?
Nesta primeira parte do texto a autora se propõe a investigar momentos em que a antropologia refletiu na história. E como antropólogos e historiadores reagiram a isso. Sempre levando em conta o fato de que para a etnografia, não se pode entender a história no singular.
Lilia Schwarcz faz uma pergunta: “É possível definir história como um conceito universal. Já que a experiência comum da passagem do tempo é consensual, mas também particular?” e completa “a história pode ser tomada com uma disciplina, ou como uma categoria fundamental?”
Ou seja, todas as sociedades têm sua própria maneira de marcar a passagem do tempo, o que não quer dizer algumas estão erradas e outras certas, apenas que são diferentes. Além do mais, preenchem todas as necessidades daquela sociedade.
Para tal, a autora busca compreender como a antropologia entende e registra a história em todas as sociedades inclusive a ocidental. Aí encontra-se o grande dilema, onde acaba a história e começa a antropologia, que papel a história assumiu na constituição da antropologia, onde encontra-se essa fronteira?
História como conjuntura ou ausência de história.
Ao surgir, a antropologia estava imbuída do pensamento Darwinista e alguns antropólogos do século XIX acreditavam que existiam alguns povos que não aviam evoluído e ainda estava no chamado estado primitivo. Esses antropólogos acreditavam que a Europa representava o auge da evolução, pois ele evoluíra cumulativamente rumo ao progresso e que esses povos ainda estariam na infância. Então, se esses povos não tinham história, no sentido ocidental da palavra (Cronológica, documentada, etc.), não havia o que se estudar.
Foi nesse momento que antropólogos, culturalistas norte-americanos e funcionalistas ingleses, decidiram distanciaram-se da história, da diacronia[i] e do evolucionismo.
Franz Boas (1858-1942) propôs que se procurassem desenvolvimentos particulares em cada sociedade. Não que se trouxesse a história de um povo isolado para a história ocidental, o que seria praticamente impossível uma vez que a maioria desses povos não dominavam a escrita, mas que se procurasse nesses povos o porquê de seu desenvolvimento ter ocorrido de forma diferente da ocidental e de tantas outras. Sem transformar a história “deles” em nossa história.
Outras histórias, tantas histórias
Para Evans-Pritchard o debate acirrado entre história e antropologia era necessário e indispensável, uma vez que as duas disciplinas se complementam. Ele acreditava, que apesar da antropologia estudar o presente, era de extrema importância que em todo projeto antropológico se fizesse um resgate histórico, pois, para ele não existia sociedade sem história.
Lévi-Strauss chegou a conclusão em seu livro Raça e História que todas as sociedades têm história, mesmo os povos chamados anteriormente de “povos crianças”, a única diferença e como cada uma dessas sociedades espalhadas pelo planeta se relacionam com a história. Cada povo se relaciona com o conhecimento histórico a sua maneira. Alguns povos têm um modelo fixo, progressivo e acumulativo de se relacionar com a história, outras se utilizam de um modelo cíclico, sempre aberto a mudanças e que muitas vezes apagam seus vestígios. Para Claude Lefort a etnologia deveria trabalhar com essas questões, segundo suas próprias palavras “Por que, uma mesma humanidade, às voltas com as mesmas questões, dá a elas soluções diferentes?”
Lévi-Strauss acreditava que a grande diferença entre história e antropologia nos procedimentos, o historiador estuda muitos documentos e o antropólogo apenas um. E nas consciências dos povos frente a história, o historiador estuda os conscientes e a antropologia os inconscientes.
Uma antropologia das historicidades e seus vários caminhos.
Em 1970, influenciados por interpretações enganosas de Lévi-Strauss, os antropólogos se dividiram entra aqueles que se opunham a estrutura e sua condenação da história e aqueles que utilizavam da estrutura.
Marshall Sahlins se considerava um “estruturalista histórico” e fazia uso da antropologia histórica e considerava que a grande dificuldade dela era saber como os eventos são ordenados pela cultura. Além de acreditar que do contato entre duas culturas, ambas sairiam alteradas. Clifford Geertz em sua passagem pela Indonésia elabora críticas a filosofia ocidental e defende que a história de uma civilização pode ser descrita de duas maneiras: ou pela progressão dos grandes acontecimentos ou pelo desenvolvimento sociocultural. Os dois autores acreditam que o presente é determinado pelo passado, mas a resposta de cada sociedade a esse passado se aconteceu e acontece de forma diferente. 
Temporalidade em nossa história ocidental.
Lévi-Strauss é claro quando diz que “em nossas sociedades a história substituiu a mitologia e desempenha a mesma função. E se para as sociedades sem escrita essa mitologia assegura que o passado foi igual ao presente e que o futuro se manterá fiel a esse passado, para o ocidente a história garante que o futuro será muito diferente do presente.
A grande questão aí, é o fato de que, se as outras culturas carregam “história no plural” o ocidente também, não sendo apenas um conjunto de sociedades que tem como ordem do dia a cronologia.
O tempo da montanha.
Por fim, o grande desafio do ocidente é encontrar as várias histórias que ocorrem dentro dele. E a antropologia em conjunto com a história é de fundamental importância para essa análise rumo ao interior de minha própria sociedade.
Sites consultados:
Bibliografia:
SCHWARCZ; Lilia K.M: “Questões de Fronteira” Revistas novos estudos. Nº72, julho de 2005.

[i] Diacronia: Caráter dos fenômenos Lingüísticos observados quanto a sua evolução no tempo. 

sábado, 16 de outubro de 2010

1º e 2º Capítulos do livro Apologia da História ou o Oficio do Historiador de Marc Bloch

Cap. 01- A história, os homens e o tempo.
1. A escolha do historiador.
(P. 51)  A palavra história é antiquíssima desde que surgiu a dois milênios mudou muito de conteúdo.
(P. 52)  Face a imensa e confusa realidade, o historiador é necessariamente levado a nele recortar o ponto de aplicação particular de suas ferramentas; em consequência a nela fazer uma escolha será um autêntico problema de ação. E nos acompanhará ao longo de todo nosso estudo.
2. A história e os homens.
Para Marc Bloch dizer: “a história é a ciência do passado” é um grande erro. Pois a própria ideia de que o passado possa ser objeto de ciência é absurda. Como, sem uma decantação prévia, poderíamos fazer de fenômenos que não tem outra característica comum a não ser terem sido contemporâneas, matéria de um conhecimento racional?
(P. 53)  Na origem da historiografia, os velhos analistas não se constrangiam nem um pouco com tais escrúpulos. Narravam, desordenadamente acontecimentos produzidos mais ou menos no mesmo período: como eclipses, chuvas de granizo, batalhas, erupções, mortes de heróis e reis, etc.. após esse momento inicial, pouco a pouco operou-se a classificação necessária. Dividindo por exemplo em astronomia, geologia etc.
(P. 54)  Mas apesar disso na nova historiografia a aliança de duas ou mais disciplinas revela-se indispensável a certas tentativas a certas tentativas de explicação. Michelet e Fustel de Colanges, nos ensinaram a reconhecer: o objeto da história é, por natureza o homem. Digamos melhor, os homens, pois são os homens que a história quer capturar.
(P. 55)  3. O tempo Histórico.
“Ciência dos homens” dissemos. É ainda vago demais. É preciso acrescentar: “dos homens no tempo”. O historiador não pensa apenas o “humano”. A atmosfera em que seu pensamento respira naturalmente é a categoria da duração. Esse tempo verdadeiro é por natureza, um continuum. É também perpétua mudança. Da antítese desses dois atributos provêm os grandes problemas da pesquisa histórica. (P. 56)  Em que medida devemos considerar o conhecimento do mais antigo como necessário ou supérfluo para a compreensão do mais recente?
4. O ídolo das origens.
Naturalmente a homens que fazem do passado seu principal tema de estudos da pesquisa, a explicação do mais próximo pelo mais distante dominou nossos estudos até a hipnose. Sob sua forma característica, esse ídolo da tribo dos historiadores tem um nome: é a obsessão das origens.
A palavra origem é preocupante, pois é equivoca. Significa simplesmente começo? Entretanto para a maioria das realidades históricas, a própria noção desse ponto inicial permanece singularmente fugaz. Ou origens se entende por causas? Então não haveria mais outras dificuldades a não ser aquelas que são por natureza inerentes às investigações causais.
(P. 57)  Entre os dois sentidos frequentemente se constitui uma contaminação tão temível que não é em geral muito claramente sentida. Para o vocabulário corrente, as origens são um começo que explica. Pior ainda: que basta para explicar. Ai mora a ambiguidade; ai mora o perigo.
(P. 58)  O passado só foi empregado tão ativamente para explicar o presente no desígnio do melhor justificar ou condenar. De modo que em muitos casos o demônio das origens foi talvez apenas um avatar desse outro satânico inimigo da verdade histórica: A mania do julgamento.
A qualquer atividade humana que seu estudo se associe, o mesmo erro sempre espreita o intérprete: confundir uma filiação com uma explicação.
(P. 60)  Sempre restará o problema de saber porque a transmissão se operou na data indicada: nem mais cedo, nem mais tarde. Em suma, nunca se explica plenamente um fenômeno histórico fora de estudo do seu momento.
5. Passado e presente.
Montesquieu fala sobre uma “cadeia infinita das causas que se multiplicam e combinam de século para século”.
O que é o presente? No infinito da duração um ponto minúsculo e que foge incessantemente; um instante que mal nasce morre. Mal falei, mal agi e minhas palavras naufragam no reino da memória. Que segundo o jovem Goethe não existe presente, apenas o devir. Condenada a uma eterna transfiguração, uma pretensa ciência do presente se metamorfosearia, a cada momento de seu ser, em ciência do passado.
Na linguagem corrente, “presente” quer dizer passado recente. Aceitamos portanto esse emprego um pouco frouxo da palavra.
(P. 61)  March Bloch escreve sobre como seu professor o ensinou que escrever sobre o contemporâneo o presente era matéria da políticasociologia e do jornalismo. E que o historiador deveria se afastar para analisar apenas a sangre frio.
(P. 62)  Outros cientistas, ao contrário, acham com razão o presente humano perfeitamente suscetível de conhecimento. Mas reservando seu estudo a disciplinas bem distintas daquela que tem o passado como objeto. Eles analisam limitando-se a apenas algumas décadas como que seu momento fosse separado do restante da história.
(P. 63)  A ignorância do passado não se limita a prejudicar a compreensão do presente; mas compromete, no presente, a própria ação.
(P. 64)  Para analisar homens de outrora o historiador, ocupado em compreender e fazer compreender, terá como primeiro dever recolocar em seu meio, banhado pela atmosfera mental de seu tempo, face a problemas de consciência que já não são exatamente nossos.
(P. 66)  É um erro grave acreditar que a ordem adotada pelos historiadores em suas investigações deva necessariamente modelar-se por aquela dos acontecimentos. (P. 67)  Livres para em seguida restituir à história em seu movimento verdadeiro, lês frequentemente tem proveito em começar por lê-la a partir do mais recente para chegar ao mais remoto. (Ocorre de, em uma linha de estudos, o conhecimento do presente ser diretamente ainda mais importante para a compreensão do passado).
Cap. 02- A observação histórica.
(P. 69)  1. Características gerais da observação histórica.
As características mais visíveis da informação histórica foram muitas vezes descritas. O historiador, por definição, está na impossibilidade de ele próprio constatar os fatos que estuda. (nenhum egiptólogo viu Ramsés, nenhum especialista em guerras Napoleônicas ouviu o canhão de Austerlitz). Das eras que no procedem, só poderíamos portanto falar segundo os testemunhos. Em suma, em contraste com o conhecimento presente, o do passado seria necessariamente “indireto”.  
(P. 71)  Onde muitas vezes não existe a necessidade de uma transmissão humana(como relatos escritos etc) (P. 72)  De vez em quando não existe nada entre a coisa e nós.
(P. 73)  Como primeira característica, o conhecimento de todos os fatos humanos no passado, da maior parte do presente, deve ser um conhecimento através de vestígios. Quer se trate de ossadas emparelhadas nas muralhas das Síria, de uma palavra cuja forma ou emprego revela um costume, de um relato escrito, etc. O que entendemos efetivamente por documentos senão um “vestígio”, quer dizer a marca, perceptível aos sentidos, deixada por um fenômeno.
  (P. 75)  O passado é por definição, um dado que nada mais modificará. Mas o conhecimento do passado é uma coisa em progresso, que incessantemente se transforma e se aperfeiçoa.
Os exploradores do passado não são homens livres. O passado é seu tirano. Proíbe-lhes conhecer de si qualquer coisa a não ser o que ele mesmo lhe fornece. Por exemplo: Jamais estabeleceremos uma estatística dos preços na época Merovíngia, pois nenhum documento registrou esses preços em número suficiente.
(P. 76)  Em virtude dessa lacuna, toda uma parte de nossa história necessariamente incide sobre o aspecto, um pouco esvaído, de um mundo sem indivíduos. Muitas vezes algumas questões são impossíveis de responder como o exemplo acima. Nesses momentos a melhor coisa a dizer é “não sei, não posso saber”.
2.Os testemunhos.
“Heródoto de Túrio expõe aqui suas pesquisas, afim de que as coisas feitas pelos homens não sejam esquecidas com o tempo e que grandes e maravilhosas ações realizadas tanto pelos gregos como pelos bárbaros, nada percam de seu brilho”.
Assim começa o mais antigo livro de história que, no mundo ocidental, chegou até nós sem ser no estado de fragmentos. Ao lado dele, coloquemos, por exemplo. Um desses guias de viajem que os egípcios introduziam nos túmulos. Temos cara a cara, os próprios tipos de duas grandes classes entre as quais se divide a massa, imensamente variada, dos documentos colocados pelo passado à disposição dos historiadores. Os testemunhos do primeiro grupo são voluntários. Os outros não.
(P. 77)  Os relatos deliberadamente destinados à informação dos leitores (testemunho voluntário) não cessaram de prestar um precioso socorro ao pesquisador. Sua maior vantagem é a de fornecer um enquadramento cronológico razoável a ser seguido.
Entretanto é na 2º categoria dos testemunhos que a investigação histórica, ao longo de seus progressos, foi levada a depositar cada vez mais sua confiança. Não é que os documentos desse gênero sejam, isentos de erro ou de mentira. A diferença aqui é que ela não foi concebida especialmente em intenção da posteridade.
(P. 78)  Até nos testemunhos mais resolutamente voluntários, o que os textos nos dizem expressamente deixou hoje de ser o objeto predileto de nossa atenção. Apegamo-nos geralmente com muito mais ardor ao que ele nos deixa entender, sem haver pretendido dizê-lo. A partir do momento que o texto revela mesmo a contra gosto seu conteúdo secreto, o historiador deve impor-lhe um questionário.
(P. 79)  Entretanto mesmo os textos mais claros e complacentes, não falam senão quando sabemos interrogá-los. Nunca a observação passiva gerou algo de fecundo.
Naturalmente, é necessário que essa escolha ponderada de perguntas seja extremamente flexível, suscetível de agregar, no caminho, uma multiplicidade de novos tópicos, e abertas a todas as surpresas. De tal modo que possa desde o início servir de imã às limalhas do documento. O explorador sabe muito bem, previamente, que o itinerário que ele estabelece, no começo, não será seguido ponto a ponto. Não ter um, no entanto, implicaria o risco de errar eternamente ao acaso.
A diversidade dos testemunhos históricos é quase infinita, tudo o que o homem diz ou escreve, tudo que fabrica, tudo que toca pode e deve informar sobre ele.
(P. 80)  Seria uma grande ilusão imaginar que a cada problema histórico corresponde um tipo único de documentos, específicos para tal emprego. Já que muitas vezes o testemunho involuntário é mais importante para a pesquisa e muitas vezes a única.
(P. 82)  3. A transmissão dos testemunhos.
Reunir os documentos que estima necessários é uma tarefa das mais difíceis para o historiador. De fato ele não conseguirá realiza-la sem a ajuda de guias diversos: Inventários de arquivos ou de bibliotecas, catálogos de museus, repertórios bibliográficos de toda sorte.
(P. 83)   Entretanto, por mais bem feitos, por mais abundantes que possam ser, esses marcos indicadores seriam somente de pouca serventia para um trabalhador que não tivesse, previamente, alguma ideia do terreno e explorar.
Ao contrário do que pensam os iniciantes, os documentos não surgem, aqui ou ali. Sua presença em tal arquivo ou biblioteca deriva de ações humanas. Pois como tal documento encontra-se em tal lugar? Como ele chegou a tal lugar através do tempo?etc. Isso quando o documento consegue sobreviver até nossos dias!
(P. 85)   Os grandes desastres da humanidade estão longe de sempre terem servido à história. Com os manuscritos literários e historiográficos amontoados, os inestimáveis dossiês da burocracia imperial romana perderam-se na confusão das invasões.
No entanto, a pacífica continuidade de uma vida social sem rasgos de febre mostram-se menos favorável do que as vezes se acredita à transmissão da memória. São as revoluções que forçam as portas dos armários de ferro e obrigam os ministros à fuga antes que tenham achado tempo para queimar sua notas secretas.
Será assim pelo menos até que as sociedades consintam enfim a organizar racionalmente, com sua memória.
Só conseguirão isso lutando contra os dois princípios responsáveis pelo esquecimento e ignorância: A negligência, que extravia documentos. E a paixão pelo sigilo- Sigilo diplomático, sigilo dos negócios, sigilo das famílias que os esconde e destrói.
Referências.
BLOCH; Marc Leopold Benjamnin: “Apologia da história ou o oficio do historiador” R.J ed Jorge Zahar 2001.
  

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Feliz dia dos professores...

Hoje, quem se arrisca a ter essa profissão?
Acompanho com grande pesar os rumos que a profissão que escolhi para minha vida estão tomando. Sei que sou muito novo para o desanimo, não reclamo das classes em que leciono, e de minha profissão que de tão bela muitas vezes já foi representada em filmes, poemas, músicas, teatros, etc..

Mais uma vez repito. NÃO me dou ao direito de reclamar da minha profissão, ora, eu a escolhi e não posso responsabilizar a ninguém por essa minha escolha. Mas fico chocado, por meus colegas de trabalho e sua desvalorização apesar dos anos de serviço.

Mas tenho todo o direito de reclamar das políticas públicas do Estado de São Paulo. Sou apartidário, ou melhor, sou contra-partidário, sou contra o PSDB e suas invenções mirabolantes para a educação. As mães vêem os caderninhos, os livrinhos, os jornaizinhos e acredita que está tudo bem com a educação em São Paulo, mas não está. No material, no físico se muda facilmente, mas é no filosófico que a coisa se complica.

Muitas vezes vejo que ninguém gosta dessa profissão, de um lado estão os alunos muitas vezes agressivos, do outro os país de alunos e acima olhando e apertando cada vez mais a categoria está o governo.

Garanto que você já viu advogados, engenheiros, arquitetos, médicos, etc, que já estão em idade de aposentar, mas adoram tanto seu trabalho que o farão até o fim de sua vida. Isso é fato!

Fato também é que muitos professores faltando cinco ou mais anos para se aposentar tiram uma licença médica atrás da outra, pois, não agüentam mais por o pé em uma sala de aula. É a segunda profissão mais estressante do Brasil perdendo apenas para os carcereiros

O dia dos professores é um dia de luto. Luto pela morte eminente de uma bela profissão, pois chegará o dia em que nenhuma pessoa, em sã consciência, entrará para lecionar em uma sala de aula. E isto se aproxima graças a diversas medidas para a destruição da educação pública em São Paulo.

E caso não saibam a um déficit de educadores em todo o Brasil. Um estudante qualquer se forma em uma universidade pública, o Estado gasta uma grana alta em sua formação esperando que este retorne a sociedade em forma de trabalho todo o dinheiro nele investido. Mas na hora de trabalhar o governo não dá condições plenas para o exercício de sua função. O que ele faz? Simples o chamado desvio de função, ou seja, vai trabalhar em outra coisa! A meu ver o Estado é muito burro!

No Brasil a educação é despesa e não investimento. Infelizmente.

Não sei porque professor reclama tanto do governo.
Aqui temos o exemplo de um professor ganhando uma linda gravata do orgão repressor do Estado.
Direito a greve? Não em São Paulo.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Mais um artigo contra a Guerra do Iraque.

Vamos soldado, explique a garotinha que agora ela é órfã porque algum americano gordo quer dar uma volta de Hummer 8 válvulas. 
William Cirilo Teixeira Rodrigues
Em 20 de março de 2003 uma coalizão de forças militares européias e norte-americanas invadiram o Iraque, em busca das temíveis armas químicas que supostamente estavam na mão de Saddam Hussein e que a qualquer momento poderiam ser lançadas sobre o chamado “mundo livre”.  (...)

E não é que George W. Bush estava certo! O Iraque tem armas químicas! E infelizmente, para os iraquianos, essa é uma arma que só mata seu próprio povo, essa arma é o petróleo, que a qualquer momento será lançado sobre o ”mundo livre”, uma vez, que com a custa de muito sangue as fronteiras do berço da humanidade foram abertas para o capital estrangeiro e para a “liberdade” no sentido mais estadunidense da palavra.

Os extremistas liberais gritam em coro para todo o mundo:- Mas graças à invasão americana, Saddam Hussein ditador desalmado e assassino foi deposto do poder!

Sim, eu sei muito bem disso. Mas o que faz dos EUA tão especial, que lhe dá total liberdade de mandar e desmandar na política de outros países? Quem lhe outorgou o direito de matar o líder de outra nação? Os únicos no mundo que tinham o direito de tirar ou não Saddam Hussein do poder eram o próprio povo iraquiano.

Agora vemos o quebra-cabeça se formando bem a nossa frente, dia 04/10/2010 foi vinculada na mídia à descoberta de novos campos de petróleo que asseguram no mínimo, uma reserva 24% maior do que se acreditava existir no Iraque. E adivinhe quem ira administrar essas reservas....uma certeza eu tenho, não será o povo da Mesopotâmia.

E quem irá reconstruir o Iraque devastado? Não há dúvida que o país será reconstruído por empreiteiras norte-americanas e de países aliados. Entretanto, essa reconstrução não será grati$.

Acredito que o verdadeiro eixo do mal é formado por EUA e seus países aliados, sei que cada barril de petróleo retirado do Iraque é formado por um rio de sangue, que a cada pai de família iraquiano morto por um soldado americano surgem outros dez Osama Bin Laden em potencial, que cada voltinha que Paris Hilton dá em sua limousine um combate é travado nas ruas de Bagdá, e que a cada dólar ganho por empresas multinacionais algum país deve se ajoelhar.

Nesse mundo então, quem é o mocinho e quem é o vilão?




















O que será que pensa um Iraquiano? Vocês invadem meu país, oprimem meu povo, destroem as nossas casas, elegem nosso líder, matam nossas famílias, roubam nossas riquezas e quando nos revoltamos somos radicais e terroristas.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Democracia? Para quem?

Pergunte a Salvador Allende o que ele acha da democracia burguesa.
Por William Cirilo Teixeira Rodrigues
O que é a democracia? Será que ela realmente existe em algum lugar do mundo? Se existe em que lugar ela está escondida? Democracia é apenas o ato de escolher quem vai mandar em mim durante quatro anos? Uma eleição é o maximo que uma democracia pode alcançar? Será que a senhora democracia, assim como à senhora justiça apenas ama seus filhos ricos e poderosos? E por fim, em até que ponto a vontade da maioria seria verdadeiramente respeitada. (...)

Bom...a maioria dessas perguntas eu não sou capaz de responder. Acredito que a democracia existe, que ela esta em algum lugar do mundo ou do coração dos que amam a liberdade. Acredito, também, que o simples ato de votar não categoriza um regime político e econômico como democrático. E o simples fato de ter esse nome como nome de partido, não garante em nada que o mesmo seja democrático.

A palavra democracia vem do grego “demos” que significa povo. Basicamente é governo do povo. Mas me pergunto que povo? Que tipo de povo? Como esse povo pode participar ativamente da política?

Imaginem comigo, um candidato a presidência, vindo de um partido de extrema esquerda qualquer, com propostas revolucionárias concorre à eleição. Até ai tudo bem, temos no Brasil alguns candidatos de partidos como o PSTU, PCO, PSOL, PCB, etc. concorrendo às eleições 2010. Que não representam perigo algum a o sistema vigente, pois os partidos de esquerda no Brasil não querem a revolução, o que eles querem na verdade são privilégios dentro do capitalismo. Greve não é revolução, greve é apenas greve.

Mas, suponhamos que esse candidato com propostas claras de mudanças sociais, econômicas, eleitorais, constitucionais, etc. conseguiu conquistar a população e abre uma pequena margem de pontos a frente do segundo candidato logo na primeira pesquisa.

A imprensa primeiramente iria atacá-lo com todas as suas forças, surgiriam diversos dossiês pejorativos sobre toda a vida do candidato, desde a infância até o presente momento. Desde uma nota vermelha na quinta série até um namoro escondido na adolescência, tudo seria usado como arma. A TV, o rádio, os jornais, as revistas ficariam estarrecidas ao verem formar-se a sua frente o que ela mais abomina a criação de um mundo diferente. Para a imprensa o povo então, tornou-se burro e não sabe eleger um bom candidato, pois o povo só é inteligente quando abaixa a cabeça para todas as mentiras da imprensa.

Só para lembrar. NÃO EXISTE IMPARCIALIDADE. Eu não sou imparcial, você que esta lendo esse artigo não é imparcial, políticos não são imparciais, policiais, juízes, professores, historiadores, médicos não são imparciais. Se todas essas categorias não são imparciais a imprensa é a mais parcial de todas, ela tem rabo preso com diversos poderosos e ela tem suas ideologias, que certamente não incluem o povo no poder .

Imaginemos ainda, que todos esses ataques não surtam efeito e o candidato dispara nas pesquisas e ganhe as eleições. E comece a empreender as reformas prometidas a população que o elegeu. Reformas sociais, econômicas, políticas, eleitorais, constitucionais, judiciais, trabalhistas, todas em favor do trabalhador e contra os poderosos.

Você acredita, que diferentemente de Salvador Allende, ele não será derrubado? Que em pleno século XXI não há espaço para outro golpe militar no Brasil? Que tipo de democracia então é essa, em que a vontade da maioria só é respeitada enquanto se submete a vontade dos poderosos? Não falo apenas do Brasil, nesse aspecto, falo da América Latina inteira.

Mas essa foi minha escolha, grita o povo, essa foi a escolha da maioria e deve ser respeitada, o candidato foi eleito democraticamente. E a burguesia responderá em coro: -Nesse caso não se aplica a democracia. Vocês escolheram errado e isso foge as regras de democracia.

A justiça é cega e a democracia é surda da orelha esquerda.

Manuel Zelaya exemplo recente de como a democracia é valida somente enquanto é conveniente.