segunda-feira, 28 de março de 2011

O espaço é vermelho - corrida espacial e Guerra Fria.

A cadela Laika, primeiro ser vivo a lançado ao espaço. Feito alcançado pelos soviéticos.
Durante a guerra fria, o planeta foi dividido em duas grandes áreas de influência, de um lado os EUA como símbolo do capitalismo moderno e a URSS principal país socialista do mundo. Essas duas superpotências disputavam por áreas de influência nos quatro cantos da Terra. Para mostrar ao mundo qual ideologia seria mais a benéfica à humanidade, russos e norte-americanos disputavam em praticamente tudo: nos esportes, nas artes, nas ciências, nas tecnologias, na industria bélica, etc. Foi a época das “corridas”, da corrida armamentista e da corrida espacial.(...)
E nesta corrida rumo ao infinito os soviéticos saíram na frente e durante muitos anos foram os grandes especialistas em foguetes, ciência planetária e astronavegação conseguindo feitos que continuam sem paralelo até hoje.
Em 1957 os russos lançaram o Sputnik1 primeiro satélite artificial da terra, seguido pelo Sputnik 2 que lançou a cadela Laika, o primeiro ser vivo no espaço. Em 1961 os vermelhos ampliaram a dianteira ao enviar o primeiro homem ao espaço, o major Yuri Gagarin. Os russos bem que quiseram chegar a lua, mas em 20 de julho de 1969 o módulo Apolo 11 pousa em solo lunar colocando os EUA, em uma versão simplista, como vitoriosos da corrida espacial.
A lua foi desbravada, mas o sistema solar continuava a ser uma incógnita e tudo o que se sabia sobre os planetas vizinhos eram especulações feitas por telescópios. E os russos foram os grandes responsáveis pelas desmistificações de teorias que existiam até os anos 50, que falavam de civilizações marcianas e vida em Vênus.
Desde o início o principal objetivo soviético era chegar à lua, deste desejo surgiu a série de sondas Luna. Após três tentativas frustradas, encobertas pelo regime, em janeiro de 1959 os russos conseguem lançar a Luna 1, que tinha como objetivo se chocar contra a superfície da lua. Luna 1 errou por muito pouco o alvo, mas tornou-se o primeiro objeto inventado pelo homem a escapar da órbita terrestre.
Em setembro do mesmo ano foi lançada a Luna 2 que se tornou o primeiro objeto a acertar a lua. O sucesso mesmo veio com a Luna 3 que fotografou pela primeira vez o lado escuro da lua, utilizando-se de um complexo sistema de câmeras extremamente sofisticada para a época.
O passo seguinte era tentar pousar na lua e não somente se chocar contra ela. Eles conseguiram com o Luna 9 em fevereiro de 1966, primeira sonda a pousar num astro e, de quebra transmitiu as primeiras imagens da superfície lunar.
Os soviéticos também tinham grande interesse pelos planetas vizinhos como Vênus e Marte. Até hoje as sondas Venera foram as únicas a conseguir reproduzir imagens do solo de Vênus. O caminho até lá foi difícil, a Venera 1 foi a primeira sonda a sobrevoar um planeta, a Venera 2 quebrou e a 3 se chocou contra Vênus tornando-se o primeiro objeto a se chocar contra outro planeta. Somente com a sonda Venera 7 os russos conseguiram pousar em solo venusiano, o único problema foi que ela só conseguiu suportar 23 minutos sobre a superfície, graças a pressão atmosférica, o calor de 450 graus e a chuva de ácido sulfúrico. Somente com as sondas 9 e 10 em 1975, foi possível enviar imagens de dentro do planeta.
Com a sonda Mars 1 os russos se empenharam em chegar ao planeta vermelho, mas ela errou o alvo. Em 1971 com as Mars 2 e 3 conseguiu-se chegar a órbita de Marte, a sonda 2 quebrou, mas a sonda 3 conseguiu fazer um pouso suave em solo marciano mas quebrou 20 segundos depois do pouso. Somente em 1976 com as sondas americanas Viking 1 e 2 conseguiu-se as primeiras imagens do solo de Marte. Houve outras tentativas, mas logo os russos desistiram e se voltaram novamente para Vênus. Com o fim da URRS o programa espacial foi arquivado e a Rússia, herdeira da tecnologia soviética, não conseguiu muito mais que isso.
Referências:

Matéria adaptada da revista Super Interessante. Ed 227 de Junho de 2006. Texto de Salvador Nogueira.

Quem descobriu a América?


O mapa chinês feito muito antes das viagens de Colombo impressiona pela riqueza dos detalhes.A expressão descobrimento da América ou descobrimento do Brasil é o mais puro anacronismo, pois não existiam nem a América nem o Brasil como hoje nós os conhecemos. O que existia era um enorme continente desconhecido pelos europeus, mas povoado por diversos povos indígenas e já visitado por diferentes culturas.(...)

Todos nós aprendemos na escola que a descoberta da América aconteceu graças à expansão marítima europeia, que ocorreu principalmente na Espanha e em Portugal, proporcionada graças à criação da caravela uma das maiores obras de engenharia de todos os tempos. Que libertou o homem europeu das navegações costeiras, possibilitando o avanço rumo ao alto-mar.
Segundo a história oficial o navegador genovês Cristóvão Colombo, acreditando na esfericidade da terra, partiu da costa espanhola em agosto de 1492 rumo ao oeste, para assim circundar a Terra e chegar as Índias. O fim desta história todos já conhecem, em dois meses Colombo chega a ilha de Guanaani, atual San Salvador nas Bahamas, acreditando ter descoberto uma nova rota para as Índias. Somente em 1504, Américo Vespúcio confirmou que o que havia se descoberto era muito mais que uma nova rota, mas um novo e gigantesco continente.
Já no caso específico do Brasil, a história oficial entrega o trunfo deste feito ao navegador português Pedro Álvares Cabral que teria descoberto o Brasil no ano de 1500, mesmo com grandes evidências de que o português Duarte Pacheco Pereira, e os espanhóis Américo Vespúcio, Yanez Pinzón e Diego Lepe tenham chegado primeiro ao território que hoje chamamos de Brasil.
A Idades dos Descobrimentos durou por mais dois séculos, até 1771 quando o Inglês James Cook descobriu oficialmente a Austrália.
Fugindo deste esquema pré-fabricado há indícios de que o continente que futuramente receberá o nome de América já havia sido visitado por outros povos, muito antes dos europeus.
Segundo Gavin Menzies, ex-oficial da marinha britânica e autor do livro “1421-O Ano em Que a China Descobriu o Mundo”, foram os chineses os primeiros a chegar ao novo mundo e isso muito antes do nascimento de Colombo.
No início do século XV, enquanto a Europa saia da Idade Média e engatinhava na engenharia naval, o imperador chinês Zhong Di, em seu auge econômico mandou construir 300 ba chuan, a mais potente embarcação construída até o século XX. Tinha 150 metros, levava 200 toneladas de carga e tinha autonomia de 7 mil quilômetros o suficiente para cruzar o Atlântico sem paradas.
Essa fantástica armada fez várias viagens pelo oceano Índico e acredita-se que cruzaram o cabo da Boa Esperança 60 anos antes de Bartolomeu Dias e dali eles teriam se lançado rumo ao novo mundo. Menzies acredita que os chineses passaram pela costa brasileira em setembro de 1421. Segundo esta tese houve contato entre os chineses e os indígenas, pois, pesquisas genéticas constataram semelhanças genéticas entre chineses e índios sul-mato-grossenses. Para voltar, eles foram até o sul do continente e de lá entraram no pacífico de volta a China. No caminho acredita-se que tenham passado pela Austrália. Assim que Zheng He voltou a China em 1423, soube que o imperador Zhong Di, havia sido derrubado por uma rebelião e o novo soberano considerou que essas viagens estavam onerando os cofres públicos além de irem contra a idéia confusionista de que a China deveria se fechar para os Bárbaros.Assim após essa volta ao mundo, a China se fechou e essa é uma das explicações para a não colonização desses achados.
Existe a teoria de que os povos Vikings, antigos habitantes da Escandinávia, foram os primeiros a chegar ao continente americano, e isso haveria ocorrido por volto do século IX enquanto eles eram os senhores do Atlântico Norte.
Leif Eriksson, segundo um épico viking do século XIII , teria fundado um colônia no noroeste do atlântico que teria sido destruído por ataques de um povo misterioso, os skraelingar, que disparavam flechas, vestiam jaqueta de couro e remavam em botes cobertos de peles.
Em 1960, um grupo de arqueólogos desenterrou no litoral do Canadá uma fazenda tipicamente viking, além de vários objetos de metalurgia como pregos e alfinetes. Os indígenas da região não sabiam trabalhar com o ferro. Exames de carbono 14 datam esses objetos por volta do ano mil. Não se sabe se os vikings ficaram só no litoral ou desbravaram o interior, mas hoje não resta dúvida de que eles estiveram na América por volta do ano 1000.
Existem ainda relatos de que os fenícios (os maiores navegadores da antiguidade), encontraram no “Oceano Ocidental” por volta de 500 a.C, uma grande terra fértil e de clima delicioso. No início da Idade Média circulava pela Europa rumores de uma espécie de paraíso terrestre, a imagem e semelhança do Éden bíblico. Entre os celtas a terra encantada tinha o nome de Hy Brazil, que provavelmente vem do termo fenício barzil que significa ferro. Sabe-se que os celtas e fenícios comerciaram na antiguidade. A idéia de que nosso país foi batizado graças às árvores existentes por aqui é ridícula, pois a palavra Brasil é mais antiga do que a própria língua portuguesa.
Outra história escrita na Irlanda por volta do ano 900, conta os relatos da Navegação de São Brandão, que partiu rumo ao atlântico, em um pequeno barco, com outros monges chegando as terras de Hy Brazil e voltado para a Irlanda para contar a história.
Não há provas de que os fenícios e celtas estiveram em terras americanas, mas o Birreme (navio fenício) era uma ótima embarcação, capaz até mesmo de atravessar o atlântico.
Fica claro que quem colonizou tratou logo de esculpir a versão do descobrimento. Esse é um ótimo exemplo de história contada pelos vencedores: europeus, brancos e cristãos.
Na realidade não importa saber quem “descobriu” a América ou o Brasil, pois esse continente foi realmente descoberto há cerca de 15 mil anos, mas sim quem colonizou e o que os colonizadores fizeram neste continente.
Referências:
Matéria adaptada da revista Super Interessante. Ed 233 de Dezembro de 2006. Texto de José Francisco Botelho.


quarta-feira, 23 de março de 2011

Resenha da obra completa "A ORIGEM DAS ESPÉCIES" de Charles Darwin

Charles Darwin formulou a teoria da evolução das espécies, na qual alega que todos os seres vivos descendes de um ancestral comum.


Biografia e contexto histórico
O inglês Charles Robert Darwin (1809-1882), é um dos maiores naturalistas de todos os tempos, graças a sua teoria da seleção natural e evolução, exposta inicialmente no grande livro “A Origem das Espécies” publicado em 1859 após décadas de pesquisas em segredo, pois temia o recebimento dessa teoria junto aos acadêmicos e religiosos de sua época.(...)
Segundo Theodosius Dobzhansky, “nada em biologia faz sentido a não ser sob a luz da evolução”. Ilustrando bem o impacto dessa teoria sob os naturalistas e criacionistas de sua época e sua importância sobre as ciências biológicas de hoje.
Sua teoria se baseia na seguinte ideia: Todos os seres vivos descendem de um ancestral comum e as diversas espécies surgiram com a acumulação lenta de caracteres, que sendo benéficos ao indivíduo dão a ele vantagens na luta pela sobrevivência e reprodução, ou seja, os mais aptos e adaptados ao meio têm maiores chances de deixar descendentes. Seu livro inteiro se baseia na defesa dessa tese.
A obra
A origem das espécies é dividida em 15 capítulos, mais uma notícia histórica, introdução, notas e glossário com os principais termos científicos usados por ele.
Darwin inicia seu livro analisando os naturalistas que o antecederam, desde os criacionistas, que acreditavam ser Deus o criador de todos os seres vivos e que estes seriam imutáveis desde a criação até os influenciadores e os influenciados diretos de Darwin.
Na introdução Darwin apresenta sua obra, analisando cada capítulo e sobre o que eles tratam. Aproveitando para dar algumas alfinetadas nos criacionistas dizendo que todo naturalista deve entender que as espécies não foram criadas independentemente uma das outras, mas que derivam de outras espécies.
Cap I: Variações das espécies no estado doméstico.
Em seu primeiro capítulo, Darwin analisa principalmente a seleção natural dos animais domésticos praticada pelo ser humano de forma inconsciente desde os seus primórdios. O ser-humano tem papel fundamental na seleção das espécies domésticas. Por exemplo, um animal mais útil a uma tribo é mais preciosamente conservado em época de fome e com isso tem mais chances de deixar descendentes, o mesmo pode acontecer com os vegetais. Muitas vezes essa evolução não é benéfica para o animal ou planta, servindo apenas como um capricho do homem que seleciona apenas pela beleza ou excentricidade.
O homem não tem qualquer controle sobre as variações que surgem, ela apenas seleciona, mantem ou a excluiu, acumulando apenas caracteres benéficos a ele e criando raças para seu proveito. Primeiro a natureza lhe dá a transformação, depois o homem decide se desenvolve ou não.
Cap II: Variação no estado selvagem.
Darwin analisa neste segundo capitulo, principalmente como ocorrem às variações no estado selvagem. Se concentrando na pergunta, uma variedade (Seres de uma espécie que começam a apresentar variações) pode vir a se transformar em uma nova espécie? E responde: talvez sim, talvez não, depende da seleção natural e se essa variação é benéfica ao ser que há possui.
Cap III: Luta pela sobrevivência.
A ideia da luta pela sobrevivência é de extrema importância para a tese da seleção natural.
Todas as transformações (variabilidades) apresentadas por todos os seres vivos têm a função de dar ao ser que a possuiu, vantagens na luta pela sobrevivência. Algumas vezes essas variações são benéficas e tem mais chances de se perpetuar e outras vezes ela é maléfica e o ser que a possuiu é destruído. Existe na natureza uma grande concorrência entre todos os seres vivos.
Neste capitulo Darwin aplica a lei de Malthus a natureza. Existe um grande equilíbrio sobre o número de indivíduos que uma determinada região comporta. Nenhum organismo pode se reproduzir infinitamente, pois caso isso acontecesse a terra seria coberta pela descendência de um só par e não existiria seleção natural.
Existem seres que produzem enormes quantidades de ovos e sementes e outros que produzem muito menos. A única diferença é que os primeiros se reproduzem aos milhares, pois não protegem as suas crias e estas são mais facilmente destruídas sendo necessárias muitas crias para a sobrevivência de poucas e os últimos cuidam das crias e é mais fácil a sua preservação mesmo com reduzido número de descendentes. Mas todos os seres lutam para se multiplicar.
Epidemias, o clima, os predadores e a quantidade de alimento são excelentes meios de controle populacional e de seleção natural. Onde somente os mais aptos conseguem sobreviver a estas condições.
Diferentemente do que muitos pensam, a luta pela sobrevivência é mais encarniçada entre os seres de uma mesma espécie, que ocupam o mesmo lugar, buscam a mesma comida e lutam contra os mesmos inimigos. Uma espécie pode levar outra espécie do mesmo gênero à extinção, pela competição.
Cap IV: A seleção natural ou a perseverança do mais capaz.
Todos os seres vivos estão em constante concorrência e cada transformação que dê vantagens a um indivíduo garantirá a ele maiores chances de deixar descendentes. A natureza seleciona apenas os mais aptos, destruindo os inaptos. Essa seleção deixa a espécie mais forte, pois a natureza escolhe apenas em vantagem do próprio ser.
Existe também a seleção sexual, que ocorre através da disputa entre indivíduos machos de uma mesma espécie, pela posse do sexo oposto. Os machos mais vigorosos têm maiores chances de deixar descendentes.
Inicialmente toda a variação é local, mas brevemente surgiria um pequeno grupo de fácil reprodução e se essa nova variedade conseguisse êxito se espalharia por uma grande região.
Darwin acredita que uma vasta região é mais propícia ao surgimento de modificações do que o isolamento e as alterações do clima, graças à acirrada luta pela sobrevivência existente nestas extensas áreas.
A seleção natural acarreta diversas extinções, a luta pela sobrevivência tem como objetivo selecionar os mais fortes e destrói os seres menos adaptados.
Para Darwin as pequenas diferenças se acumulam (se vantajosas) e se acentuam de geração em geração e esses seres podem se habituar a diversos habitats caso tenham um grande número de modificações.   Descendentes modificados de uma espécie podem se propagar e habitar as mais diferentes regiões, mesmo quando habitada por outros seres, extinguindo-os eventualmente.
Darwin finaliza esse capitulo analisando a seguinte questão. Se todos seres organizados tendem a evoluir por que ainda existem formas inferiores de vida como os vermes? A resposta é que a seleção natural, não leva necessariamente a um desenvolvimento progressivo e sim apodera-se das variações úteis aos indivíduos e pergunta: Que vantagem teria uma minhoca em adquirir um organismo superior?
Cap V: Leis da variação.
Neste capitulo Darwin se concentra em apresentar as complexas leis da modificação, como os efeitos da mudança das condições, os efeitos da seleção natural sobre o uso ou não-uso das partes, aclimatação dos seres as regiões em que vivem, entre outras.
Darwin também se aprofunda na lei da compensação do crescimento, que segundo ele é a seguinte: “a fim de poder despender de um lado, a natureza é obrigada a economizar de outro”. Que nada mais é do que o fato da seleção natural reduzir de tal modo as partes de um organismo, que ele acaba por se tornar supérfluo e assim reduzir o consumo de energia desta parte. Lei esta, muito clara entre os animais domésticos e difícil de se encontrar no estado selvagem.
Os caracteres sexuais secundários são basicamente os atrativos que o macho possuiu para conquistar a fêmea (como a crista do galo, a cauda do pavão, etc), e estes como passam pela seleção sexual (escolha da fêmea) são extremamente variáveis.
Cap VI: Dificuldades surgidas contra a hipótese de descendências com modificações.
Aqui o autor se propõe a responder duas questões: Se uma espécie deriva de outras, porque não encontramos formas de transição?
Segunda Darwin as formas de transição existiram, mas estão em forma de fósseis, sendo que as novas espécies se formam lentamente sendo extremamente difícil perceber as variações de uma geração para outra, além do fato de as espécies intermediárias terem sido, com certeza, suplantadas pela nova espécie nascente, mais adaptada ao meio.
A segunda questão é: Como é possível a seleção natural criar partes insignificantes como a cauda de uma girafa e órgãos tão importantes quanto um olho? Darwin acredita que órgãos que hoje são considerados insignificantes, na verdade são resquícios de um ancestral remoto para o qual este órgão foi de grande serventia.
Cap VII: Contestações diversas feitas à teoria da seleção natural.
Darwin utiliza-se deste capitulo para rebater as diversas críticas recebidas após a primeira publicação deste livro. Mas somente as críticas de relevância para o aperfeiçoamento da obra, excluindo pessoas que não se esforçaram para tentar compreender a seleção natural.
Cap VIII: Instinto.
Aqui o autor trata do instinto ou como ele mesmo chama “poder intelectual dos animais”. Para isso ele responde a uma questão feita no sexto capitulo: Os instintos podem adquirir-se e modificar-se pela seleção natural?
O instinto é de extrema importância para o animal e fica lógico que sob influência das alterações nas condições de vida a seleção natural possa acumular ligeiras transformações no instinto, desde que vantajoso ao animal.
Cap IX:Hibridez.
Este capitulo é dedicado a análise dos seres híbridos (produto da união de duas espécies diferentes) e de sua esterilidade.
Aqui o autor também responde a uma questão no sexto capitulo: Como explicar que o cruzamento entre espécies é estéril e que o cruzamento entre variedades é fértil?
Darwin acredita que a esterilidade dos híbridos ocorre graças a perturbação causada a geração pelo fato de ser composta de duas formas diferentes, sendo que a causa primaria da esterilidade do cruzamento entre espécies reside nas diferenças sexuais.
Já os seres mestiços (produto da união de variedades diferentes) são geralmente fecundos pelo fato de serem apenas variedades de uma mesma espécie.
Cap X: Insuficiência dos documentos geológicos.
Como o próprio título do capítulo já diz, Darwin reclama da insuficiência, até o momento, de arquivos geológicos que comprovem a sua tese de evolução progressiva e lenta de todos os seres, por via da descendência e da seleção natural.
Cap. XI: Da sucessão geológica dos seres vivos.
Aqui há o enfrentamento de sua teoria contra as teorias de imutabilidade das espécies, utilizando-se, apesar das dificuldades de se encontrar documentos fósseis em abundância, do conhecimento geológico e da sucessão de suas eras, para analisar a evolução dos seres através desses períodos.
Cap. XII: Distribuição geográfica.
Cap. XIII: Distribuição geográfica (continuação).
O objetivo desses dois capítulos é claro, analisar a distribuição geográfica dos seres vivos pelo planeta. Observando a importância das alterações no clima e de barreiras físicas para o isolamento e o surgimento de novas espécies.
Segundo Darwin todos os principais casos de distribuição geográfica podem ser explicados pelas migrações.
Cap. XIV: Afinidades mútuas dos seres orgânicos; morfologia; embriologia; órgãos rudimentares.
O penúltimo capítulo é dedicado ao estudo das classificações ou afinidades mútuas, tanto no estado de completo desenvolvimento quanto no estado embrionário. Demonstrando como se dá a classificação dos animais em variedades, espécies, gêneros, famílias, ordens e classe. Ficando claro para ele que as “inúmeras espécies, gêneros, famílias que povoam a terra são todas descendentes, cada uma na sua própria classe, de pais comuns, e todas foram modificadas nas gerações sucessivas”.
Cap. XV: Recapitulações e conclusões.
O último capítulo desta grande obra é inteiramente dedicado a analise dela mesma.
Observações úteis:
Dediquei-me principalmente aos oitos primeiros capítulos, quanto aos restantes apenas os apresentei. Não sou biólogo, apenas um curioso que decidiu fazer uma resenha sobre esta grande obra, caso haja alguma informação incorreta favor entrar em contato com o blog que corrigirei o erro o mais rápido possível. Obrigado.
Bibliografia:
DARWIN;Charles: “A Origem das espécies” São Paulo, Folha de São Paulo, 2010. Coleção: Livros que mudaram o mundo. 368 pág’s.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A Crise no Oriente Médio e a Força do Ato Individual



Por: João Pedro Cassiano & William C.T. Rodrigues

O individuo pode estar à frente de seu tempo? Para essa questão a historiografia tem respondido negativamente! Cada homem pertence ao seu tempo, luta por questões do seu tempo. Nosso objetivo aqui é analisar o individuo como portador de uma capacidade extraordinária de gerar transformações na história de sua época. As duas figuras que estamos analisando são portadoras dessa capacidade. Elas são como bombas, explodem detonando tudo que está em volta e colocam em xeque a velha ordem estabelecida.(...)

Existe uma vasta e fascinante bibliografia que trata da relação entre história e individuo e vice - versa. Devido ao caráter desse texto, não vamos arrolar aqui os principais livros que tratam do assunto. Mas recomendamos ao leitor interessado a leitura de Lucien Febvre..

Nos últimos dias o mundo foi sacudido por uma onda de revoltas, dessa vez o palco dessas manifestações foi o assim chamado mundo árabe. Surpreendendo o Ocidente pelo fato de ser uma revolta social, sem caráter religioso. As velhas ditaduras iniciadas entre os anos 50 e 60 do século XX sofreram um duro golpe no alvorecer do século XXI. Suas estruturas mais sólidas estão ruindo frente às reivindicações da população por participação política. Aquilo que parecia sólido desabou frente uma manifestação iniciada na Tunísia. Essa onda de protestos se alastrou da Tunísia para o Egito, Líbia Argélia, Marrocos, Jordânia, e diversos outros países árabes derrubando vários ditadores.

A questão central é saber até que ponto um ato individual como esse é capaz de gerar revoltas de proporções imprevisíveis? Qual o poder desse ato como símbolo sintetizador de uma causa coletiva? Como uma única pessoa pode ser o estopim de mudanças tão profundas?

Nos EUA da década de 50, durante a segregação racial, Rosa Parks uma senhora negra da cidade de Montgomery no Alabama negou-se a ceder seu lugar no acento do ônibus a um homem branco, esse ato de desobediência à lei que amparava o segregacionismo levou a um grande boicote aos ônibus. A comunidade negra norte-americana revoltou-se iniciando uma serie de protestos que culminou na luta pelos direitos civis da década de 60.

De forma praticamente idêntica, Mohamad Bouazizi um jovem engenheiro tunisiano, era obrigado a ganhar a vida como vendedor autônomo por causa do desemprego, sendo constantemente molestado pelas autoridades locais que o impediam de trabalhar de forma digna. Como forma de protesto, Mohamad ateou fogo ao próprio corpo vindo há falecer alguns dias depois. Esse ato solitário gerou centenas de protestos pela Tunísia que posteriormente se alastraram por quase todos os países árabes, e hoje esse ato isolado tem como saldo milhares de mortos, ditadores derrubados e dezenas de países em processo de transição política.

Nota-se, nos dois exemplos, a atuação do individuo que de forma inconsciente, resistindo ao sistema, irradia os anseios de um povo. Essas figuras históricas não estão ligadas a nenhum partido, há nenhuma ideologia, seus protestos sugiram de forma espontânea e como o raiar do sol em um novo dia, atingiu toda a população. Eles não representam nenhuma vanguarda consciente dos seus atos, como, por exemplo, um revolucionário comunista, que sabe onde quer chegar. Eles apenas manifestam um sentimento que estava aprisionado no seio da população pelas redes dos sistemas que os aprisionavam.

Esses indivíduos são os portadores das angústias coletivas. Assim, seus atos individuais se propagam como uma epidemia pela sociedade. Muitas vezes essas rebeliões extrapolam as frágeis fronteiras nacionais gerando temor em outros países, como é o caso do Oriente Médio e Norte da África. Nos Estados Unidos, diferentemente do mundo árabe, essa manifestação ficou dentro das suas fronteiras, porque essa reivindicação era local, qual seja, direito civis para os negros.

Como já ficou explicito, não existem homens que estão a frente de seu tempo, seja ele um líder, um filósofo, um manifestante ou um mártir. Eles não surgem do nada. Ele concentra todas as reivindicações, mazelas e esperanças de um povo e, extravasa por meio de livros, atos e discursos todo o sentimento do povo que representa. O homem é fruto de seu tempo e só pode agir dentro dele, se o ato de atear fogo ao próprio corpo, ou de não ceder o lugar no ônibus não tivessem embasamento no coletivo, se a massa não exprimisse o mesmo sentimento, dificilmente ela se mobilizaria e abraçaria a causa pela qual o suposto “herói” morreu.

terça-feira, 1 de março de 2011

Para quem serve a burocracia?


Por: William C. T. Rodrigues

Segundo o mini-dicionário Silveira Bueno a palavra burocracia quer dizer: tramitação demorada de papéis, nas repartições públicas. O dicionário já prevê a verdadeira odisséia pela qual o cidadão deve passar caso queira estar de acordo com suas obrigações junto ao Estado.(...)