terça-feira, 20 de abril de 2010

O que é uma guerrilha?

Revolução Cubana exemplo clássico de como uma guerrilha apoiada pelo povo derrota um exército regular.

Resumo:
Muitas vezes entendemos guerrilha como algo relativamente novo, ligado às diversas revoluções ocorridas durante o século XX, o que não está totalmente incorreto. Entretanto, este tipo de combate nada tem de novo.
Guerrilha quer dizer pequena guerra e é exatamente isso o que ela é. Formada geralmente por um grupo armado, que com um fuzil na mão e uma ideia na cabeça, iniciam combates contra um exército regular a fim enfraquecê-lo e desmoralizá-lo para assim alcançar um objetivo. Gozando de extrema mobilidade e ocultados em meio à população, a guerrilha é um tipo de guerra não-convencional, fato que confunde o adversário acostumado a guerra tradicionais onde se conhece o inimigo.
O texto aqui apresentado, baseando-se em experiências de diversas guerrilhas, expõe os princípios básicos de um movimento armado guerrilheiro. Desde seu inicio até sua possível vitória.
Boa Leitura.

GUERRILHA: Partindo do nada.
 A tática de guerrilha nada tem de novo, o emprego de grupos armados em emboscadas e escamurças, causando o gradual desgaste de um exército regular, é forma de luta presente desde a antiguidade. Há referências desde 400 a.C nas obras de Sun Tzu.
A guerrilha se tornou a forma mais comum de luta na contemporaneidade, manifestando-se sob varias formas distintas. Entretanto, os grupos guerrilheiros têm algo em comum. Todos operam partindo de uma posição de desvantagem diante de um inimigo mais poderoso, e tendem a usar métodos semelhantes.
É comum certa confusão quanto a princípios e definições, particularmente porque a guerrilha é hoje normalmente considerada como instrumento de revolução política. Ouvimos referências a “ação de guerrilha revolucionária” ou ação de “guerrilhas urbanas”. Na realidade não foi a guerrilha que mudou, mas apenas os resultados finais de seu emprego. Mao Tse-Tung é considerado o pai da guerrilha revolucionária.
Em todos os casos, é preciso criar certa capacidade militar partindo virtualmente do nada, e usá-la para atacar o inimigo. Não contando com grandes contingentes, adestramento e armas suficientes é impossível a guerrilha realizar uma campanha nos moldes convencionais. Ela começa quase do zero.
E tais vitórias pequenas podem acontecer. Os exércitos convencionais são organizações complexas destinadas a vencer o inimigo pela superioridade das armas, para isso precisam receber suprimentos por rodovias ou ferrovias e devem ter controle do país através do qual se movem, assim ocupam cidades e posições. Tudo isso vem a calhar para a guerrilha. Ela pode ser fraca e mal equipada em termos relativos, mas seus homens se identificam com o ambiente, conquistando apoio local, além de terem conhecimento detalhado do terreno.
A guerrilha não depende de vias normais de suprimento e desfruta de notável flexibilidade tática. Não precisa fixar tropas em território conquistado e não tem restrições quanto à duração de sua campanha. De fato quanto mais durar a campanha, maior a possibilidade de aumento do poderio.
Mantendo-se em esconderijos e escolhendo seus alvos, a guerrilha pode lançar uma força muito concentrada contra pontos vulneráveis, independente do efetivo inimigo. O adversário é obrigado a defender todo seu território, espalhando demais as tropas em todas as áreas a serem protegidas, e facilitando assim a flexível guerrilha a montar a seu modo uma campanha de desgaste.
Além disso, considerando que cada ataque da guerrilha significa captura de armas e aumento de prestigio, as forças irregulares ganharão em poderio bélico, enquanto o exército convencional se desmoraliza e se enfraquece. No final será alcançado um equilíbrio de forças, após o que a guerrilha poderá se preparar para atacar e vencer.
Seria enganoso pensar que uma campanha de guerrilha seja coisa fácil. Há muitos problemas e é essencial que durante todo o curso da campanha haja liderança e boa organização. Os movimentos guerrilheiros sejam de qual finalidade forem, raramente surgem espontaneamente; eles são criados, alimentados e programados, e surgem sempre de uma posição de desesperada fraqueza militar.
A chave do sucesso final está nas razões que fizeram surgir o movimento de guerrilha. O guerrilheiro sente que lhe é infligido um sofrimento de tal gravidade, que vale a pena arriscar à própria vida, e há possibilidade de que, se ele sente isso grande parte da população tenha o mesmo ponto de vista. A maior força de uma organização guerrilheira é a firme e tenaz devoção de seus militantes, e o grande apoio mesmo que passivo da população.
Transformar grandes parcelas do povo insatisfeito em combatentes é tarefa de líderes. É essencial que o líder encarne a insatisfação local, saiba exatamente de que o movimento é capaz e tenha habilidade para atingir seus objetivos. Não é de admirar que os grandes líderes de guerrilha sejam figuras carismáticas como Fidel, Ho Chi Minh e Mao Tse-Tung.
Todavia, independentemente de sua capacidade, o líder, como passo inicial, tem de encontrar uma base segura onde possa treinar e preparar suas forças. A área adequada para o treinamento é o campo. Um local afastado, que não ofereça grande interesse às autoridades, apresenta várias vantagens. A presença do inimigo será muito reduzida, particularmente se a área for distante de estradas importantes. Os habitantes não estarão intimidados e submissos, conhecerão lugares de difícil acesso, montanhas, florestas ou pântanos.
Estabelecida à base, problema seguinte para o líder é o recrutamento de militantes. Muitas pessoas da área podem querer reunir-se a ele, ou talvez ele tenha de persuadi-los, apelando para o sentimento nacionalista ou prometendo melhorias sócio-econômicas e políticas a longo prazo.
A guerrilha precisa obter armas. Alguns podem ter sobrado de combates convencionais, outras podem ser importadas de países amigos, alguns fabricam suas próprias armas, mas para a maioria a única fonte acessível é o inimigo. Na verdade a captura de armamento incentiva o início da ação militar. Esses ataques iniciais são moderados. Postos isolados de um exército podem ser conquistados por meio da surpresa e de eventual força numérica, resultando na captura de armas e aquisição de experiência. Ataques isolados dessa natureza podem ser considerados apenas como banditismo, isso permite à guerrilha agir contra outros postos avançados. Quando o inimigo constatar a amplitude da oposição guerrilheira, já terá perdas significativas.
Empregando armas capturadas, particularmente armas portáteis (morteiros, metralhadoras ou minas) eles são capazes de atacar de surpresa e com sucesso, desaparecendo em seguida pelas matas e montes, antes que o inimigo se recupere. Diante de tais derrotas o inimigo provavelmente recuará até suas bases na cidade e tentará conter em vez de vencer. Isso dá a guerrilha a oportunidade de expandir-se, formando novos grupos em zonas rurais adjacentes, estendendo sua tática de desgaste do inimigo.
Por fim, com o controle guerrilheiro de toda a área em volta da cidade ela tornar-se-á sitiada. Chegou então à hora de dar inicio ao estágio seguinte da campanha, passando das táticas de guerrilha para os combates mais convencionais e a esperança de uma vitória final.

FARC-EP Colômbia
EZLN-México
Exemplos de Guerrilhas originárias do séc.XX que ainda estão em atividade.

Fonte:Texto retirado na coleção "Guerra na Paz" da editora Rio Gráfica, 1984


Baixe o texto em PDF

3 comentários:

  1. Muita bom, a clareza do assunto é didática. Vou fazer um link do meu BLOG para cá.

    Gratp. Marcos

    ResponderExcluir
  2. Muito obrigado Marcos, continue acessando o blog e todo material disponível aqui é livre. Apenas cite a fonte por favor.

    ResponderExcluir

  3. شركة كشف تسربات المياه بالاحساء  شركة كشف تسربات المياه بالاحساء 
    شركة تنظيف بيارات بالرياض شركة تنظيف بيارات بالرياض
    شركة كشف تسربات المياه بالدمام شركة كشف تسربات المياه بالدمام

    ResponderExcluir