sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Karl Marx e o Trabalho Alienado/Estranhado

Análise de um pequeno trecho do livro de Karl Marx "Manuscritos Econômico-Filosóficos” , que trata sobre o trabalho alienado e seus males sobre o homem.


O Trabalho Alienado/Estranhado.
Para se entender este capítulo da obra Manuscritos Econômico-Filosóficos do filósofo alemão Karl Marx é necessário que se tenha em mente a seguinte linha de pensamento: a alienação do trabalhador ocorre em quatro etapas. Primeiro a alienação do trabalhador pelo produto. Segundo a alienação do trabalhador durante a produção do produto. Terceiro a transformação do homem em animal por não se identificar com seu trabalho. E quarto, o homem se contrapõe ao próprio homem...
Enquanto todos os economistas contemporâneos a Marx exaltavam o progresso da economia política, deslumbrados pelo progresso e pelo enorme desenvolvimento industrial, Marx nos apresenta o outro lado da moeda, a exploração e alienação do trabalhador. Buscando entender a conexão fundamental entre todo sistema de alienação e o sistema do dinheiro.
A alienação do trabalhador pelo produto: quanto mais o trabalhador cria/produz, mais ele torna-se miserável, transformando-se aos poucos em mercadoria. Em contra partida, a mercadoria que ele criou aos poucos se humaniza. O homem transforma-se em mercadoria e a mercadoria em homem. Isso acontece pelo fato do trabalhador se relacionar com o produto como um objeto estranho a ele. O trabalhador torna-se um escravo do objeto, primeiro ele é trabalhador depois sujeito físico.
A alienação do trabalhador durante a produção do produto: durante o processo de produção o trabalhador também é alienado. Primeiro que o trabalho é exterior ao homem, e este não se realiza enquanto trabalha, por isso o trabalhador só se sente em si fora do trabalho e quando um trabalho se realiza desta forma ele pode ser considerado como trabalho forçado.
A transformação do homem em animal por não se identificar com seu trabalho: o trabalhador então, só se sente realizado durante a realização de suas funções animais (comer, beber, procriar, etc) enquanto durante as suas funções humanas, este se vê reduzido a um animal.
Existem animais, como a formiga, o castor ou a abelha, que trabalham, mas este trabalho é uma atividade vital. O ser humano por sua vez possui uma atividade vital lúcida! Mas graças ao trabalho alienado, esta situação é invertida, e o homem trabalha como um animal, ou seja, para a sua subsistência.
O homem se contrapõe ao próprio homem: quando o homem se contrapõe a si mesmo, entra em oposição aos outros homens. Pois se o produto e o trabalho, que são estranhos a ele, não são do trabalhador, de quem serão? Simples, de outro homem. O trabalho e o produto do trabalho pertencem a outro homem distinto do trabalhador. Se a atividade é um martírio para o trabalhador é fonte de prazer do burguês. O trabalhador não passa de um escravo do próprio salário.
Embora a propriedade privada pareça à causa do trabalho alienado, ela é na verdade a conseqüência. De um lado ela é o produto do trabalho alienado e do outro o meio com o qual esse trabalho alienado se realiza.
Resultado da reunião do grupo de estudos ARENA MARX realizado em Assis no dia 28/11/2011
Referências:
MARX; Karl: “Manuscritos Econômico-Filosóficos” ed. Martin Claret, 2006 pág:110-122

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