quarta-feira, 5 de maio de 2010

A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo de Max Weber

A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo de Max Weber
Segundo Max Weber a religião protestante teve influência determinante nos rumos do capitalismo.
O livro A ética protestante e o espírito do capitalismo foi escrito por Max Weber entre os anos de 1904 e 1905 no formato de dois extensos artigos.
O livro tem como principal linha de pesquisa, a análise de em até que ponto as emergentes religiões protestantes influenciaram o surgimento deste espírito capitalista. Qual o grau de envolvimento entre a religião e trabalho racional.   (...)
Max Weber inicia seu livro, analisando a Europa com bases estatísticas chega a seguinte conclusão: Ética Protestante - O que existe no estilo de vida daqueles que professam o protestantismo que favorece o espírito do capitalismo? Espírito do Capitalismo- Por que homens de negócios, grandes capitalistas, operários qualificados de alto nível e pessoal especializado tem em comum o fato de serem majoritariamente protestantes?
O autor traça detalhadamente o tipo de conduta religiosa que contribuiu decisivamente para o desenvolvimento qualitativo do capitalismo. Segundo ele trata-se do ascetismo intramundano vivenciado pelos seguintes segmentos protestantes: Calvinismo, Pietismo, Metodismo e Seitas Batistas.
Não seria possível que outro ascetismo, como o catolicismo tivesse influenciado o capitalismo, pois a piedade popular católica, espera a recompensa na vida após a morte. As religiões do oriente, devido ao Karma, mantém um ascetismo extramundano. O luteranismo como dogma Paulino da justificação pela fé, dispensa a ação dos homens como componente de processo de salvação.
Weber analisa o vocabulário protestante onde encontra as palavras Calling e Beruf  que significam em português algo como vocação, dom, chamado divino, palavras que nunca antes haviam existido neste sentido sagrado. Também segundo o autor essas palavras surgiram pela 1ºvez na tradução de Lutero, da mentalidade do tradutor e não do texto original. Esta palavra com este sentido foi rapidamente absorvida pelos povos protestantes.
Esta vocação enviada por Deus, valorizava o trabalho, o cumprimento do dever dentro das profissões seculares, deu o impulso inicial a este sentido, que teve como consequência a atribuição de um significado religioso ao trabalho cotidiano.
Foi nesse conceito de vocação que manifestou-se o dogma central de todos os ramos do protestantismo, onde segundo a qual a única maneira de viver aceitável estava no cumprimento das tarefas, impostas ao indivíduo por Deus. Ele deveria trabalhar o seu dom adquirido divinamente para se aproximar da Salvação. Nisto esta sua vocação.
Esta concepção foi desenvolvida por Lutero na primeira década de sua atividade Reformadora. A Reforma aumentou a ênfase moral e o prêmio religioso para o trabalho secular e profissional. Desse ponto em diante dividiram-se várias Igrejas reformadoras, todas com esse ponto em comum.
Ainda para Lutero surgiu a ideia de que o indivíduo é inserido em determinada “casta” da sociedade por vontade divina. Chegando a caminhar para o tradicionalismo, onde o indivíduo deveria permanecer na profissão e na posição em que Deus originariamente o colocou, mantendo suas aspirações dentro desses limites. A vocação para ele era algo aceito como uma ordem divina, a qual cada um devia adaptar-se. E o trabalho vocacional é a melhor (maior) tarefa ordenada por Deus.
Segundo Weber a Reforma seria impensável sem o desenvolvimento religioso inteiramente pessoal que foi dado por Lutero e sua obra não teria êxito permanente sem o Calvinismo.
Foi no Calvinismo que o espírito do capitalismo desenvolveu-se em maior grau. Apesar de ser uma variante protestante diferencia-se muito da matriz inspiradora luterana. Para Calvino a salvação da alma era obtida pela manifestação da fé. Entretanto, diferentemente de Lutero, acreditava que cabia a Deus escolher os que tinham fé e consequentemente, alcançariam a salvação após a morte. É a ideia da predestinação absoluta, pois, o destino da pessoa estava definido por Deus, ou ela seria salva ou seria condena, e nada do que fizesse poderia mudar os planos que Deus tinha para eles.
Então como o indivíduo poderia saber se seria salvo ou seria condenado por Deus?
Por meio de sinais materiais. Os burgueses adotaram as ideias de Calvino, para quem o enriquecimento obtido pela prática da usura e pelo esforço do trabalho individual era sinal da bondade de Deus. O comportamento dos fieis era amplamente influenciado pela religião. Dedicavam-se quase que exclusivamente ao trabalho, buscando enriquecer e glorificar a Deus. Ir a festas, divertir-se em jogos, ter a vaidade de usar joias e roupas luxuosas eram considerados pecados graves, porque afastavam as pessoas de Deus e das obrigações.
Desta forma, coube aos puritanos, que se consideravam eleitos, viver a santificação da vida cotidiana. Essa consciência de ser a minoria escolhida por Deus, fazia de cada membro dessa comunidade não mero adepto do rebanho, mas um vocacionado que se dedicava simultaneamente ao aprimoramento ético, intelectual e profissional.
Weber nega a ideia da qual, o espírito do capitalismo teria surgido somente como consequência da reforma e que o capitalismo teria surgido como sistema econômico como influência direta da reforma. Só o fato de algumas formas econômicas do sistema comercial capitalista serem anteriores a reforma, já anulariam essa argumentação.

Contudo as emergentes religiões protestante tiveram influência determinante no florescimento do capitalismo racional. Em suma, o ascetismo intramundano praticado pelos puritanos (com seu elevado grau de racionalização) produziu segundo Weber, empresários e trabalhadores ideais para a consolidação de uma nova ordem social, que integrou, como nenhuma outra, um número excepcional de pessoas sintonizadas entre si, para canalizar esforços produtivos na economia conforme a orientação política preestabelecida.


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