domingo, 6 de agosto de 2017

Resumo: A Escola e o Conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos de Mário Sérgio Cortella.


Visão Geral.
Objetivos do livro:
1.      Demonstrar que o conhecimento é uma construção cultural e não uma descoberta.
2.      Apresentar que a escola é um ser político ao mesmo tempo conservador e inovador.
3.      Enfatizar o sentido social do trabalho.
4.      Entender o conhecimento como uma ferramenta de liberdade e poder.
Introdução.
Desde os primórdios da educação brasileira, dizemos que “a educação está em crise”. Isso porque nossa educação nunca atingiu patamares mínimos de uma justiça social.
Os últimos trinta anos foram de intensa urbanização no país, o quer aumentou a pressão sobre os serviços públicos. Lembrando que estes serviços foram negligenciados pelo Regime Militar que investiu massivamente em infraestrutura e industrialização.
A nova escola que surgiu após a ditadura buscou ser democrática tanto no acesso quanto na permanência. Assim, o novo professor deve possuir: 1º sólida base científicas, 2º formação crítica de cidadania e 3º solidariedade de classe social.
Cap. 01: Humanidade, Cultura e Conhecimento.
O que significa ser humano? Muitos pensadores buscaram identificar o ser humano, definindo o que seria a essencialidade da natureza humana.
Durante a Idade Média a natureza, o cosmos, a essência humana era algo estável e inquestionável. A modernidade tirou o homem do centro do universo, da criação e do controle de seu próprio cérebro.
Nossas origens: o homem evoluiu de modo singular. Todos os animais são adaptados ao meio, já o homem é um ser frágil (não voa, não corre nem nada bem, não é forte...), ou seja, se dependêssemos apenas de nossos corpos seriamos extintos. Diferentes de outros animais que se adaptam ao mundo, os seres humanos adaptam o mundo à suas necessidades através do trabalho.
Cultura: para modificar e transformar o meio, o homem faz uso do trabalho e o trabalho gera um fruto que chamamos de cultura.
O homem não nasce humano, mas torna-se humano e esse processo de humanização ocorre no contato do ser com a cultura. A cultura não é transmitida geneticamente, nascemos uma folha em branco e moldamos e somos moldados pela cultura conforme nos desenvolvemos.
O processo de humanização também se dá pelo conhecimento e a educação que o transporta.
Conhecimentos e valores: Fronteiras da não-neutralidade. Toda criatura quer sobreviver, mas para ser humano não basta apenas existir, ele quer que a vida valha a pena. Assim, surgem os valores que são metas que devemos atingir para termos uma vida plena.
Contudo os valores não são eternos variando de acordo com o lugar ou a época, estando sempre em constante transformação.
Em geral estes valores são criados pela elite dominante da época, que divulgam seus valores como verdadeiros e universais, pois assim eles são mais facilmente aceitos pela massa inculta.
Conservação e inovação. A educação deve observar estes valores e se perguntar “o que deve ser conservado e o que deve ser inovado (transformado)? ” Por isso os processos pedagógicos não são neutros, pois fazem juízos de valor entre os valores que devem continuar existindo e os que devem ser combatidos.

Cap. 02. Conhecimento e verdade: a matriz da noção de descoberta.
O que é o conhecimento? O que é verdade?
Em busca do conhecimento, Cortella faz uma viagem rumo ao berço do pensamento ocidental (Grécia). Ele demonstra como a concepção de verdade transformou-se através dos tempos desde o mito, a filosofia, passando pelos pré-socráticos, sofistas, Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Tomás de Aquino, Descartes, Espinoza, Leibniz, Bacon, Locke, Hume, Kant, Hegel e Husserl. Cada um desses pensadores tentou a sua maneira explica o que é a verdade. Cortella chega a conclusão de que a verdade não é uma descoberta, mas uma construção cultural que visa orientar os sentidos das ações humanas e o sentido de sua própria existência.
Ou seja, a verdade não é algo pronto esperando apenas que alguém (o descobridor) à encontre, mas algo construído por mentes humanas, algo muito parecido com a ideologia.

Cap. 03. A escola e a construção do conhecimento.
Em geral entendemos o conhecimento como algo pronto, acabado e sem conexões com seu momento de produção histórica.
Relativizar: é o ato de entender que não há uma verdade absoluta e que o conhecimento humano é construído tendo relação direta com seu momento histórico de produção (a verdade é fruto de uma época).
Intencionalidade: todo saber surge de uma intencionalidade. Alguém teve a intenção de buscar a “verdade” sobre um determinado tema. O pesquisador ao iniciar uma pesquisa tem uma intenção inicial.
Erro: nesse processo de busca pelo conhecimento o erro é algo comum e compreensível, pois só não erra quem não tenta. Devemos entender que o erro é apenas um tropeço no caminho do conhecimento.
Pré-ocupação: não há conhecimento sem pré-ocupação. Durante a história milhares de pessoas presenciaram maçãs caindo de macieiras, mas apenas Newton a relacionou com a gravidade, pois ele estava pré-ocupado com as leis de física há mais de vinte anos.
Ritualismo, encantamentos e princípios.
O distanciamento entre os conteúdos escolares e o universo do aluno cria apatia. Segundo Cortella, os alunos gostam da escola, não gostam é de nossas aulas.
A sala de aula muitas vezes se assemelha a um lugar de culto religioso, pois necessita de silêncio, hierarquia, passividade, etc. o lúdico e o amoroso são postos de lado. Segundo o autor a sala de aula deve ser o espaço de contestação, diálogo, confrontos, etc.

Cap. 04. Conhecimento escolar: epistemologia e política.
Relação sociedade/Escola: a finalidade da escola e do trabalho pedagógico para a sociedade já passou por diversas fases:
1.      Otimismo ingênuo: a escola como o local de salvação da sociedade.
2.      Pessimista: vê a escola como um local de reprodução das desigualdades, sendo a educação um simples aparelho ideológico da elite.
3.      Otimismo crítico: aponta a natureza contraditória das instituições sociais (escola), possuindo ao mesmo tempo a função conservadora e inovadora. A escola reproduz as injustiças ao mesmo tempo em que é um instrumento de mudança.
A construção da inovação: inquietações contra o pedagocídio.
Para fazer pedagogia não basta apenas gostar de crianças, pois fica a pergunta “de qual criança você gosta?” Da limpinha, bem alimentada ou daquela que não possuí nem material escolar? Pois, há uma grande influência das condições de vida do aluno em seu desempenho escolar.
Cortella entende o fracasso escolar brasileiro não como uma tragédia, mas como um projeto bem orquestrado por uma elite gananciosa, grupos políticos imorais e uma classe média anestesiada. O autor chama esse projeto de pedagocídio.
O pedagocídio possuí causas extra e intra escolares. Nas causas extraescolares o professor não tem muito o que fazer, mas nas causas intraescolares é seu dever atuar para transformá-la.
Assim o professor possuí uma dupla função: uma epistemológica e outra política como o próprio título do livro sugere.
·        Função epistemológica: o professor deve possuir os conhecimentos técnicos necessários para o bom desempenho de sua função docente.
·        Função política: o professor deve ser crítico e se indignar com a realidade que o cerca, buscando transformar a sociedade. Decidindo entre conservação e inovação, ou seja o que merece ser mantido e o que deve ser transformado.

Fonte.

CORTELLA, Mário Sérgio. A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos. 14. ed., São Paulo, Cortez, 2011.

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