sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Resenha do livro Darwin e a Evolução em 90 minutos de Paul Strathern


Observação importante:
O presente livro de Paul Strathern trabalha como uma espécie de biografia intelectual de Charles Darwin. Mostrando como o meio em que viveu o autor de A Origem das Espécies foi fundamental para o pleno desenvolvimento da teoria da seleção natural, e como esta se desenvolveu e amadureceu ao longo dos anos.
Apesar de crer profundamente na importância de conhecer a vida e os caminhos de Darwin para entender o meio que possibilitou o surgimento de tal teoria, decidi não me ater a essa questão biográfica por dois motivos: primeiro, existem uma infinidade de vídeos no youtube que trabalham com a discutida biografia. Segundo, tentei deixar o texto mais curto e simples possível, atendo-me somente à teoria da evolução das espécies, ajudando aqueles que querem entender esta teoria e que possuem alguma dificuldade.
Boa Leitura.
Introdução.
Darwin foi com certeza um dos poucos pensadores a subverter a noção de como nos vemos e o mundo que nos cerca. Depois de Darwin, o homem deixou, para sempre, de ser uma espécie privilegiada.
No século XVI Copérnico deu inicio a uma revolução, tirando o homem do centro do universo, com a Terra orbitando ao redor do Sol. Darwin aparece no século XIX para completar esta revolução, mostrando como o homem era apenas mais uma espécie no processo evolutivo – já não éramos mais o centro de nada.
Sobrevivência do menos apto.
Nesta parte do livro tem inicio a biografia de Charles Darwin, desde a sua infância, os mimos de suas irmãs mais velhas, seu pai medíocre, seu avô influente (um dos primeiros evolucionistas), suas mal fadadas tentativas de agradar seu pai – primeiro com a medicina depois com a teologia –, sua viagem a bordo do Beagle, sua passagem pela América do sul, sua épica visita às ilhas Galápagos, sua circunavegação do globo, sua volta triunfante à Inglaterra, seu casamento com sua prima, o silencio de vinte anos sobre sua teoria até sua publicação, etc...
Sabemos que Darwin viveu em um período conturbado da história, período marcado pelo surgimento de novas ideias que se contrapunham ferozmente à antiga maneira de pensar do homem europeu.
Muitos pensadores de sua época, influenciados pela Bíblia, acreditavam que as espécies eram imutáveis, e assim o eram desde a Criação – sem que novas espécies surgissem ou desaparecessem.
Outros como o francês Jean Lamarck defendiam que os animais e plantas não eram estáticos, mas que evoluíam. Segundo a teoria de Lamarck, era o meio ambiente e a relação dos animais e plantas com ele que modificavam uma espécie. Por exemplo, a girafa tinha pescoço comprido, porque durante gerações, tentara alcançar as folhas mais altas. Isso levou Lamarck a pensar que “as características adquiridas são herdadas”, ou seja, as habilidades desenvolvidas por uma geração podiam ser transmitidas à próxima.


geologia (ciência emergente da época) acreditava-se que as características geográficas da Terra tinham sido formadas por rupturas súbitas e tumultuosas de grande magnitude. Cadeias de montanhas haviam sido impelidas aos céus de uma só vez em um enorme solavanco e, de tempos em tempos toda superfície da Terra era inundada. Essa corrente era conhecida como catastrofismo, e não contradizia a bíblia.
A bordo do Beagle, Darwin leu “Princípios de Geologia” de Charles Lyell. O autor descordava dessa teoria. Sua suposição era de que as características da Terra haviam sido formadas num processo longo e gradual. As grandes características geográficas não surgiam de uma só vez, mas de maneira lenta e sujeitas a longos processos de erosão e deposição.
A viagem de cinco anos ao redor do mundo, a bordo do Beagle, foram fundamentais para moldar a teoria de Darwin. Suas coletas, observações e leituras haviam transformado um botânico amador em um pensador extraordinário.
Logo Darwin percebeu as discrepâncias entre suas observações e o criacionismo ortodoxo. Da maneira como era descrito no Gênesis, todo ser vivo havia sido criado por Deus e planejado especificamente pelo criador para viver em um determinado ambiente. Ou seja, as criaturas era imutáveis pois foram criadas por Deus, afrontar essa ideia era afrontar a própria divindade.
Aos poucos, estudando mais a fundo suas coletas, suas anotações de viagem e sua própria imaginação, Darwin foi se convencendo que o mundo não era estático e estava em um eterno processo de “devir”.
A guinada em seu pensamento, se deu quando Darwin entrou em contato com a teoria de Thomas Robert Malthus. Segundo ele a população cresceria em progressão geométrica (2,4,8,16...), enquanto os meios de subsistência – principalmente alimentos – cresciam em progressão geométrica (1,2,3,4...). Assim a população cresceria até o limite suportado, quando seria então contida por doenças, fomes, guerras, etc..
Darwin já possuía amplo conhecimento sobre a luta pela sobrevivência nos reinos vegetais e animais, mas as palavras de Malthus cristalizaram o argumento fluido que existia em sua mente. Darwin então chegou a conclusão de que nessas circunstancias, as variações favoráveis seriam preservadas e as desfavoráveis destruídas, o resultado seria o surgimento de novas espécies.
Darwin entendera então um ponto crucial de sua teoria: a noção de luta pela sobrevivência. Já era sabido que as espécies lutavam ferozmente uma contra as outras pela autopreservação. Mas ao ler Malthus, Darwin então compreendeu que a luta pela sobrevivência se dava também no interior de cada espécie. Os indivíduos competiam dentro das espécies e as características dominantes sobreviviam e eram repassadas às gerações posteriores. Era assim que as características benéficas para o indivíduo permaneciam e as enfraquecedoras desapareciam.
A luta dentro de uma espécie acontecia em nível individual. Os indivíduos com características melhor adaptadas às circunstâncias sobreviveriam para transferir essas características. Enquanto isso, características nocivas desapareciam à medida que os indivíduos que as portassem não conseguissem sobreviver para passa-las adiante.
Devemos deixa claro, neste momento, que Darwin não descobriu a evolução, este era o tema do momento, mas descobriu o que ela era e como funcionava. Ele chamou esse processo de seleção natural.
Para finalizar, devemos entender que as ideias de Darwin foram recebidas com enorme furor. Tanto de entusiastas, quanto de divergentes da teoria. Suas ideias não deixavam espaço para a intervenção divina e reduziram o ser humano ao status de um macaco avançado. Segundo o argumento de Darwin os seres humanos não pertenciam a uma espécie permanente e divinamente ordenada, mas eram meramente parte de um processo em desenvolvimento contínuo.

 Fonte:
STRATHERN, Paul. Darwin e a evolução em 90 minutos. Rio de Janeiro. Zahar. 2001

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