sábado, 10 de dezembro de 2011

Cândido ou o Otimismo de Voltaire

Após ser expulso do castelo onde nasceu, Cândido inicia sua jornada em busca de sua amada Cunegundes e descobre que o mundo não é tão maravilhoso quanto ele pensou.

Cândido ou o Otimismo.
Voltaire (1694-1778).
François-Marie Arouet ou simplesmente Voltaire, é de longe o mais conhecido e celebrado homem de letras do século XVIII, ele foi à própria encarnação do iluminismo. Voltaire nasceu em 21 de novembro de 1694. Filho de um notário abastado recebeu uma ótima educação em um colégio jesuíta e pretendia dedicar-se ao magistério, mas patrocinado por Chauliu e pelo Marquês de La Fare, publicou seus primeiros versos...
Em 1717, acusado de ser o autor de um panfleto político, foi preso e encarcerado em Bastilha por quase seis meses. Foi nessa época que resolveu adotar o nome de Voltaire. Enquanto esteve na prisão escreveu Henriade e o esboço de Oedipe que em 1719 obteve grande êxito.
Em 1726, em conseqüência de um incidente com a nobreza, Voltaire foi novamente recolhido à Bastilha, de onde saiu sob a condição de deixar a França. Indo em exílio para a Inglaterra. Três anos depois regressou a França e publicou cinco livros em cinco anos. Nessa mesma época escreveu suas Lettres Philosophiques, que provocaram grande escândalo e obrigaram Voltaire a fugir para Lorena onde morou no Castelo de Madame Du Châtelet até 1749, quando volta a Paris já cheio de glória e conhecido em toda Europa.
Sem conseguir se fixar em parte alguma Voltaire vagou por diversas cidades da Europa, até que em 1758 adquiriu o domínio de Ferney, onde passou a viver em companhia de sua sobrinha Madame Denis. Durante vinte anos viveu ali, cheio de glória e amigos e é desse período que data o livro Cândido ou o Otimismo.
Em 1778, em sua viagem a Paris, foi entusiasticamente recebido. Morreu no dia 30 de março desse mesmo ano, aos 84 anos de idade.
A Obra.
Cândido ou o Otimismo é um conto filosófico de tom satírico, escrito por Voltaire no ano de 1759 em apenas três dias. Ao que tudo indica, foi escrito ainda sob a impressão do trágico terremoto de Lisboa. A obra é dividida em trinta curtos capítulos carregados de ironia.
De leitura rápida e fluente o leitor segue a vida de Cândido, um jovem que nasceu e cresceu em um formoso castelo. Ali seu mentor Dr Pangloss lhe ensina a filosofia do “melhor possível”. Para ele “nosso mundo era o melhor dos mundos possíveis”. “As coisas não podem ser de outro modo, pois tudo o que acontece tem uma finalidade, que inevitavelmente levará para o melhor possível”. Fica claro que filosofia seguida por Pangloss e ensina a Candido é a filosofia de Gottfried Leibniz.
Após um beijo correspondido por Cunegundes, o Barão de Thunder-tem tronckh, pai da donzela, expulsa Cândido de seu castelo onde este cresceu na mais pura inocência e não conhece as dificuldades da vida. A partir deste momento o enredo do livro é baseado em uma sucessão de desgraças, que vão por a prova a filosofia ensinada por Panglos.
O pano de fundo desta obra são os horrores e as crueldades do século XVIII, onde praticamente todos os personagens principais passam ou passaram por algum tipo de tormento físico ou psicológico.
E o principal objetivo de Cândido, que até mesmo o faz atravessar diversos continentes, e reencontrar a bela Cunegundes. Durante sua busca, ele encontra com diversos personagens falsos, ingratos, mesquinhos, mentirosos, etc. que servem como estereótipos dos mais variados grupos sociais como os religiosos, militares, escravos, governantes, nobres, teólogos, filósofos, etc.
Quando finalmente Cândido consegue encontrar em Istambul a bela Cunegundes, ela já está feia, amarga, não lembrava em nada a formosura de antes. Entretanto, este se caso com ela, pois havia prometido, e foram morar em uma casinha nos arredores, junto a Pangloss, Cacambo, Martinho e a Velha[1]. Lá cultivam uma pequena horta que dá o sustento da casa.
A grande lição do livro é dada ao final do texto pelo velho feirante turco, e faz Cândido pensar e negar a filosofia de Pangloss. O velho turco viveu a vida inteira em sua propriedade, não tem pretensões intelectuais e ensina a seus filhos que o trabalho afasta três grandes males: o tédio, o vício e a necessidade.
Desgastado pelo cotidiano, Cândido ouve mais uma vez Pangloss repetir seu mantra de que “tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis e que todos os acontecimentos até agora estavam encadeados da melhor forma possível no melhor dos mundos” e responde: “Tudo isso é muito bem dito, (...) mas vamos cultivar nosso jardim.”
Cândido desfrutou de um grande sucesso e escândalo. Imediatamente após ser lançado, o livro foi proibido por possuir as mais diversas formas de blasfêmia e hostilidade intelectual escondidos sob a ingenuidade de alguns personagens.
Voltaire era um especialista em escrever romances filosóficos com objetivos didáticos, e como fazia parte do movimento iluminista tinha o claro objetivo de lutar pela defesa da Razão contra as trevas, a ignorância e as superstições.
Esse é o objetivo principal do livro: em meio às trevas do mundo, tudo que podemos fazer é enfrentá-las com a força de nossa natureza racional, sem ilusões. Ensinar que, muitos ditos sábios como Pangloss, espalham idéias otimistas, tentando ludibriar cândidos com a esperança de mundos melhores.
  
Sites:

Bibliografia:
VOLTAIRE:“Cândido ou o Otimsimo”. 1º ed. São Paulo: Folha de São Paulo, 2010 coleção livros que mudaram o mundo. Vol 17. 107 páginas.         


Leia também aqui no blog:Leibniz o otimista


[1]  Cacambo é o criado de Cândido, Martinho companheiro de viagem de Cândido, A Velha é a criada de Cunegundes.

Um comentário:

  1. Perfeito esse texto! Completo, conciso, e muito fácil de compreendê-lo, inclusive para os leigos! Gostei. Parabéns!

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