segunda-feira, 28 de março de 2011

DESCOBRIDORES DO NOVO MUNDO.

 O mapa chinês feito muito antes das viagens de Colômbo impressiona pela riqueza dos detalhes.

Matéria adaptada da revista Super Interessante. Ed 233 de Dezembro de 2006. Texto de José Francisco Botelho.
Adaptação: William Cirilo Teixeira Rodrigues

A expressão descobrimento da América ou descobrimento do Brasil é o mais puro anacronismo ,pois não existiam nem a América nem o Brasil como hoje nós os conhecemos. O que existia era um enorme continente desconhecido pelos europeus, mas povoado por diversos povos indígenas e já visitado por diferentes culturas.(...)

Todos nós aprendemos na escola que a descoberta da América aconteceu graças à expansão marítima européia, que ocorreu principalmente na Espanha e em Portugal, proporcionada graças à criação da caravela uma das maiores obras de engenharia de todos os tempos. Que libertou o homem europeu das navegações costeiras, possibilitando o avanço rumo ao alto-mar.

Segundo a história oficial o navegador genovês Cristóvão Colombo, acreditando na esfericidade da terra, partiu da costa espanhola em agosto de 1492 rumo ao oeste, para assim circundar a Terra e chegar as Índias. O fim desta história todos já conhecem, em dois meses Colombo chega a ilha de Guanaani, atual San Salvador nas Bahamas, acreditando ter descoberto uma nova rota para as Índias. Somente em 1504, Américo Vespúcio confirmou que o que havia se descoberto era muito mais que uma nova rota, mas um novo e gigantesco continente.

Já no caso específico do Brasil, a história oficial entrega o trunfo deste feito ao navegador português Pedro Álvares Cabral que teria descoberto o Brasil no ano de 1500, mesmo com grandes evidências de que o português Duarte Pacheco Pereira, e os espanhóis Américo Vespúcio, Yanez Pinzón e Diego Lepe tenham chegado primeiro ao território que hoje chamamos de Brasil.

A Idades dos Descobrimentos durou por mais dois séculos, até 1771 quando o Inglês James Cook descobriu oficialmente a Austrália.

Fugindo deste esquema pré-fabricado há indícios de que o continente que futuramente receberá o nome de América já havia sido visitado por outros povos, muito antes dos europeus.

Segundo Gavin Menzies, ex-oficial da marinha britânica e autor do livro “1421-O Ano em Que a China Descobriu o Mundo”, foram os chineses os primeiros a chegar ao novo mundo e isso muito antes do nascimento de Colombo.

No inicio do século XV, enquanto a Europa saia da Idade Média e engatinhava na engenharia naval, o imperador chinês Zhong Di, em seu auge econômico mandou construir 300 ba chuan, a mais potente embarcação construída até o século XX. Tinha 150 metros, levava 200 toneladas de carga e tinha autonomia de 7 mil quilômetros o suficiente para cruzar o Atlântico sem paradas.

Essa fantástica armada fez várias viagens pelo oceano Índico e acredita-se que cruzaram o cabo da Boa Esperança 60 anos antes de Bartolomeu Dias e dali eles teriam se lançado rumo ao novo mundo. Menzies acredita que os chineses passaram pela costa brasileira em setembro de 1421. Segundo esta tese houve contato entre os chineses e os indígenas, pois, pesquisas genéticas constataram semelhanças genéticas entre chineses e índios sul-mato-grossenses. Para voltar, eles foram até o sul do continente e de lá entraram no pacífico de volta a China. No caminho acredita-se que tenham passado pela Austrália. Assim que Zheng He voltou a China em 1423, soube que o imperador Zhong Di, havia sido derrubado por uma rebelião e o novo soberano considerou que essas viagens estavam onerando os cofres públicos além de irem contra a idéia confusionista de que a China deveria se fechar para os Bárbaros.Assim após essa volta ao mundo, a China se fechou e essa é uma das explicações para a não colonização desses achados.

Existe a teoria de que os povos Vikings, antigos habitantes da Escandinávia, foram os primeiros a chegar ao continente americano, e isso haveria ocorrido por volto do século IX enquanto eles eram os senhores do Atlântico norte.

Leif Eriksson, segundo um épico viking do século XIII , teria fundado um colônia no noroeste do atlântico que teria sido destruído por ataques de um povo misterioso, os skraelingar, que disparavam flechas, vestiam jaqueta de couro e remavam em botes cobertos de peles.

Em 1960, um grupo de arqueólogos desenterrou no litoral do Canadá uma fazenda tipicamente viking, além de vários objetos de metalurgia como pregos e alfinetes. Os indígenas da região não sabiam trabalhar com o ferro. Exames de carbono 14 datam esses objetos por volta do ano mil. Não se sabe se os vikings ficaram só no litoral ou desbravaram o interior, mas hoje não resta dúvida de que eles estiveram na América por volta do ano 1000.

Existem ainda relatos de que os fenícios (os maiores navegadores da antiguidade), encontraram no “Oceano Ocidental” por volta de 500 a.C, uma grande terra fértil e de clima delicioso. No inicio da Idade Média circulava pela Europa rumores de uma espécie de paraíso terrestre, a imagem e semelhança do Éden bíblico. Entre os celtas a terra encantada tinha o nome de Hy Brazil, que provavelmente vem do termo fenício barzil que significa ferro. Sabe-se que os celtas e fenícios comerciaram na antiguidade. A idéia de que nosso país foi batizado graças às árvores existentes por aqui é ridícula, pois a palavra Brasil é mais antiga do que a própria língua portuguesa.

Outra história escrita na Irlanda por volta do ano 900, conta os relatos da Navegação de São Brandão, que partiu rumo ao atlântico, em um pequeno barco, com outros monges chegando as terras de Hy Brazil e voltado para a Irlanda para contar a história.

Não há provas de que os fenícios e celtas estiveram em terras americanas, mas o Birreme (navio fenício) era uma ótima embarcação, capaz até mesmo de atravessar o atlântico.

Fica claro que quem colonizou tratou logo de esculpir a versão do descobrimento. Esse é um ótimo exemplo de história contada pelos vencedores: europeus, brancos e cristãos.

Na realidade não importa saber quem “descobriu” a América ou o Brasil, pois esse continente foi realmente descoberto há cerca de 15 mil anos, mas sim quem colonizou e o que os colonizadores fizeram neste continente.

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