sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Democracia? Para quem?

Pergunte a Salvador Allende o que ele acha da democracia burguesa.
Por William Cirilo Teixeira Rodrigues
O que é a democracia? Será que ela realmente existe em algum lugar do mundo? Se existe em que lugar ela está escondida? Democracia é apenas o ato de escolher quem vai mandar em mim durante quatro anos? Uma eleição é o maximo que uma democracia pode alcançar? Será que a senhora democracia, assim como à senhora justiça apenas ama seus filhos ricos e poderosos? E por fim, em até que ponto a vontade da maioria seria verdadeiramente respeitada. (...)

Bom...a maioria dessas perguntas eu não sou capaz de responder. Acredito que a democracia existe, que ela esta em algum lugar do mundo ou do coração dos que amam a liberdade. Acredito, também, que o simples ato de votar não categoriza um regime político e econômico como democrático. E o simples fato de ter esse nome como nome de partido, não garante em nada que o mesmo seja democrático.

A palavra democracia vem do grego “demos” que significa povo. Basicamente é governo do povo. Mas me pergunto que povo? Que tipo de povo? Como esse povo pode participar ativamente da política?

Imaginem comigo, um candidato a presidência, vindo de um partido de extrema esquerda qualquer, com propostas revolucionárias concorre à eleição. Até ai tudo bem, temos no Brasil alguns candidatos de partidos como o PSTU, PCO, PSOL, PCB, etc. concorrendo às eleições 2010. Que não representam perigo algum a o sistema vigente, pois os partidos de esquerda no Brasil não querem a revolução, o que eles querem na verdade são privilégios dentro do capitalismo. Greve não é revolução, greve é apenas greve.

Mas, suponhamos que esse candidato com propostas claras de mudanças sociais, econômicas, eleitorais, constitucionais, etc. conseguiu conquistar a população e abre uma pequena margem de pontos a frente do segundo candidato logo na primeira pesquisa.

A imprensa primeiramente iria atacá-lo com todas as suas forças, surgiriam diversos dossiês pejorativos sobre toda a vida do candidato, desde a infância até o presente momento. Desde uma nota vermelha na quinta série até um namoro escondido na adolescência, tudo seria usado como arma. A TV, o rádio, os jornais, as revistas ficariam estarrecidas ao verem formar-se a sua frente o que ela mais abomina a criação de um mundo diferente. Para a imprensa o povo então, tornou-se burro e não sabe eleger um bom candidato, pois o povo só é inteligente quando abaixa a cabeça para todas as mentiras da imprensa.

Só para lembrar. NÃO EXISTE IMPARCIALIDADE. Eu não sou imparcial, você que esta lendo esse artigo não é imparcial, políticos não são imparciais, policiais, juízes, professores, historiadores, médicos não são imparciais. Se todas essas categorias não são imparciais a imprensa é a mais parcial de todas, ela tem rabo preso com diversos poderosos e ela tem suas ideologias, que certamente não incluem o povo no poder .

Imaginemos ainda, que todos esses ataques não surtam efeito e o candidato dispara nas pesquisas e ganhe as eleições. E comece a empreender as reformas prometidas a população que o elegeu. Reformas sociais, econômicas, políticas, eleitorais, constitucionais, judiciais, trabalhistas, todas em favor do trabalhador e contra os poderosos.

Você acredita, que diferentemente de Salvador Allende, ele não será derrubado? Que em pleno século XXI não há espaço para outro golpe militar no Brasil? Que tipo de democracia então é essa, em que a vontade da maioria só é respeitada enquanto se submete a vontade dos poderosos? Não falo apenas do Brasil, nesse aspecto, falo da América Latina inteira.

Mas essa foi minha escolha, grita o povo, essa foi a escolha da maioria e deve ser respeitada, o candidato foi eleito democraticamente. E a burguesia responderá em coro: -Nesse caso não se aplica a democracia. Vocês escolheram errado e isso foge as regras de democracia.

A justiça é cega e a democracia é surda da orelha esquerda.

Manuel Zelaya exemplo recente de como a democracia é valida somente enquanto é conveniente.

5 comentários:

  1. Parabéns pelo texto. Gostei do techo que vc deixa claro que os partidos que se autodenominam de esquerda não querem fazer revolução, mas obter privilégios do sistema capitalista.
    Um abraço

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