quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O que é História Cultural? de Peter Burke




Peter Burke nasceu na cidade de Stanmore, Inglaterra, no ano de 1937.Doutorado na Universidade de Oxford (1957 a 1962), foi professor de História das Idéias na School of European Studies da Universidade de Essex, por dezesseis anos professor na Universidade de Sussex (1962) e professor da Universidade de Princeton (1967); atualmente é professor emérito da Universidade de Cambridge (1979).   (...)

Foi professor-visitante do Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA – USP) de Setembro de 1994 a setembro de 1995, período em que desenvolveu o projeto de pesquisa chamado Duas Crises de Consciência Histórica.

Vive em Cambridge juntamente com a sua esposa, a historiadora brasileira Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

Foi o historiador equatoriano Juan Maiguashca (professor de História Econômica de América Latina da Universidade de Toronto), discípulo de Chaunú, quem introduziu Peter Burke no mundo dos "Annales" (Escola dos Annales).

É também um dos maiores especialistas mundiais na obra de Gilberto Freyre. Escreveu, com a esposa Maria Lucia Pallares-Burke, o livro "Repensando os Trópicos". É autor de inúmeros artigos críticos, inclusive na imprensa, sobre o sociólogo pernambucano. Costuma indicar a relevância de Giberto Freyre para o estudo da cultura material - casa, mobílias, roupas, alimentos, etc.

Burke é considerado um especialista na Idade Moderna européia e também em assuntos da atualidade, enfatizando a relevância de aspectos socioculturais nas suas análises. É autor de mais de trinta livros, muitos deles publicados no Brasil.

A obra.

Peter Burke discorre no terceiro capítulo do livro O que é História Cultural, intitulado A vez da antropologia histórica, sobre como a história cultural, segundo suas proprias palavras, “entre as décadas de 1960 e 1990 deu uma virada em direção a antropologia”.

Desse encontro entre a história e a antropologia, os “historiadores aprenderam a usar o termo cultura de uma forma mais ampla”. Os historiadores que se apropriaram de alguns desses conceitos antropologicos constituíram uma abordagem denominada “antropologia histórica”.

Se antes o termo cultura era empregado pelos históriadores para se referir somente à alta cultura. Agora se referia também a cultura cotidiana e suas peculiaridades como costumes, valores de vida e etc.

Essa nova forma de se entender a história e o termo cultura, abriu espaço para o abandono de esquemas teóricos generalizantes que tendem a valorizar grupos particulares em lugares e tempo específicos. O que possibilitou o surgimento de trabalhos sobre grupos e temas excluídos da sociedade como os “trabalhos sobre gênero, minorias étnicas e religiosas, hábitos e costumes incorporando metodologias e conceitos de outras disciplinas”.

Burke no terceiro capitulo dá uma lista de diversos historiadores que passaram de alguma forma a utilizarem-se da antropologia histórica dando o que ele chama de virada cultural. Os mais diversos assuntos começaram a serem tratados seguindo esse modelo antropológico, onde, segundo o próprio autor, “estamos a caminho da história cultural de tudo”. E cada vez mais a cultura é utilizada para explicar acontecimentos políticos e econômicos pelos historiadores.

Diversos antropólogos servem de fonte de inspiração, como Marcel Mauss, Edward Evans-Pritchard, Mary Douglas, Claude Lévi-Strauss e Clifford Gertz. No auge de sua fama, inúmeros historiadores sentiram-se atraídos pela abordagem estruturalista de Lévi-Strauss, descobrindo posteriormente que ’ela resistia a apropriações’.

Muitos historiadores marxistas de fins do século XX aderiram a essa visão antropológica da história, buscando uma maneira alternativa de vincular cultura e sociedade que se diferenciasse do modelo marxista da superestrutura, onde tudo é subordinado à economia.

Essa união entre o conceito amplo de cultura e a idéia antropológica de regras e protocolos atraiu muitos historiadores culturais, aumentando-se assim o interesse dos mesmos pela cultura popular.

Um grande reflexo da utilização da antropologia na década de 1970, foi o surgimento de um novo gênero histórico, a chamada “micro-história”. Tendo como destaque os historiadores italianos Carlo Ginzburg, Giovanni Levi e Edoardo Grendi.

Peter Burke entende que o surgimento desse tipo de história pode ser explicado ao menos de três formas.

A primeira acredita que a micro-história surgiu como uma resposta a um certo tipo de história social, que utilizando-se de métodos da história econômica não dava muita importância as especificidades das culturas locais.

A segunda entende que a micro-história foi uma reação ao encontro com a antropologia. “O microscópio era uma alternativa atraente para o telescópio, permitindo que as experiências concretas, individuais ou locais, reingressassem na história”.

E por último a micro-história seria uma reação a desilusão dos historiadores com a chamada “narrativa grandiosa” dos grandes acontecimentos ocidentais. Que não dava voz a grupos excluídos participantes desses processos.

Essa narrativa grandiosa ocidental cada vez mais foi se tornando alvo dos grupos marginalizados da história. As antigas colônias, as mulheres, os povos orientais, o terceiro mundo, etc. começaram a buscar, utilizando-se da antropologia histórica, aquilo que a narrativa dos grandes acontecimentos ofuscou, para com isso, resgatarem sua história deixando-as livre das interferências dos grupos dominantes e do esquecimento.

Sites pesquisados:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Peter_Burke

Pergaminho- revista eletrônica de história - UFPB - ano 1 - n. zero - out. 2005

Bibliografia: BURKE; Peter: “O que é história cultural?” Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 2005. Pág 44-67

6 comentários:

  1. q xato nada a ver com o q eu procurei

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  2. 18. SILVIA, Janice Theodoro da. Descobrimentos e colonização. São Paulo: Editora Ática,1998.
    19. SOIHET, Rachel; BICALHO, Maria Fernanda Baptista e GOUVÊA, Maria de Fátima Silva (Orgs.). Culturas políticas. Rio de Janeiro: EDITORA Mauad/FAPERJ, 2005.

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  3. Eu só consegui postas como Anônimo. Vc não irá mais fazer as postagens??? rsrsrs Estou precisando dessas:
    1. AZEVEDO, Cecília e RAMINELLI, Ronaldo. História das Américas: novas perspectivas. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2011.
    4. CARDOSO, Ciro Flamarion e VAINFAS, Ronaldo. Novos domínios da História. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2012.
    5. CERRI, Luis Fernando. Ensino da História e consciência histórica. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2011.
    6. FONSECA, Selva G. Didática e Prática de Ensino de História. Campinas: Editora Papirus, 2005.
    7. FREITAS, Marcos Cezar de. Historiografia brasileira em perspectiva. São Paulo: Editora Contexto, 2001.
    8. FUNARI, Pedro Paulo e PIÑON, Ana. A temática indígena na escola. São Paulo: Editora Contexto, 2011.
    9. FUNARI, Pedro Paulo; FILHO, Glaydson José da e MARTINS, Adilton Luís. História Antiga: contribuições brasileiras. São Paulo: AnnaBlume, 2009.
    10. HERNANDEZ, Leila Leite. A África na sala de Aula: visita à História contemporânea. São Paulo: Editora Selo Negro, 2010.
    11. HOURANI, Albert. Uma história dos povos Árabes. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2005.
    12. JUNIOR, Hilário Franco. A idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988.
    13. MONTEIRO, Ana Maria; GASPARELLO Arlete Medeiros e MAGALHÃES (Orgs.). Ensino de História: sujeitos, saberes e práticas. Rio de Janeiro: Editora Mauad X, 2009
    14. PINSKY, Carla Bassanezi e LUCA, Tania Regina de (Orgs.). O historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2009.
    15. REIS, José Carlos. As identidades do Brasil: de Varnhagem a FHC. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2002.
    16. RUSEN, Jorn. O livro didático ideal. In: SCHMIDT, Maria Auxiliadora; BARCA, Isabel e MARTINS, Estevão de Rezende. Jorn Rusen. O ensino da História. Curitiba: Editora UFPR, 2011.

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  4. Eu sou a Márcia. Como posso entrar em contato com vc? Porque por aqui só se for pelo "Anonimo"

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    1. Nossa quanta coisa kkkk, vou ver o que consigo escrever essa semana, até mais.

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